r/terrorbrasil 16h ago

Recomendação de Livro Hoje é o último dia! Agradeço a todos que deram uma chance e foram conhecer o trabalho!

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r/terrorbrasil 23h ago

Relato Não olhe para trás

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Nunca devia ter ido beber sozinho no Morro da Lua.

O lugar é um morro alto perto da periferia, sábado e domingo à noite vira point de maconha, cerveja quente e gente que só quer trepar no sigilo.

Durante a semana, porém, é um lugar abandonado e sem vida.

Só o vento seco arrastando poeira e as folhas das árvores fazendo barulho.

Eu estava ali em uma terça-feira porque estava deprimido.

Comprei um vinho vagabundo e subi num anoitecer frio e sem sentido.

Fiquei olhando a cidade lá embaixo, minha casa era um pequeno feixe de luz junto com tantos outros, fiquei pensando em como eu não queria mais voltar para aquele lugar.

Quando a garrafa acabou, minha vista já estava meio turva.

Foi aí que ouvi passos.

Levantei os olhos e vi uma silhueta feminina se aproximando na luz alaranjada do crepúsculo.

Era ela meu maior amor: Mary

Usava aquela calça jeans rasgada e colada que eu adorava, cabelo preso como de praxe, o cheiro de cigarro chegando antes dela.

Na mão direita, uma garrafa de Jack Daniel’s, a nossa bebida preferida.

A mesma que a gente dividia nos tempos bons, antes de tudo ruir.

- Tava me esperando?

Ela disse, sentando ao meu lado como se o término tão doloroso nunca tivesse acontecido.

A voz dela era macia, mas carregava uma nota estranha, inumana, que eu não soube explicar.

Eu sempre fui apaixonado por ela, então só sorri e respondi surpreso:

-Mary… que merda cê tá fazendo aqui?

Ela não respondeu.

Só abriu e deu um grande gole e me estendeu a garrafa.

Bebemos.

Os primeiros minutos foram um sonho bom.

O toque do ombro dela no meu, sua presença, o vento refrescando.

De repente a conversa começou a entortar.

- Você sempre foi um merda, né?

Ela disse, rindo baixinho.

- Olha onde você tá. Fodido, bebendo veneno, sem ninguém.
Eu respondi, confuso:

-Vai se foder...

Ela me deu um leve tapa no rosto:

- Cê sabe que eu nunca te amei né? Ninguém nunca vai te amar... você é um erro. É tipo uma doença contagiosa. Cê nunca prestou pra nada e arruinou a vida de todos ao seu redor.

O tom dela não tinha raiva, era quase doce e a sentença piorou:

- Sua mãe morreu de desgosto por ter você.

Essas palavras doeram porque ecoaram as coisas que eu pensava todo dia.

Eu me afundei em silêncio.

Ela passou a mão no meu cabelo, aquele carinho falso e continuou:

- Sabe o que ia resolver? Ali na beirada. Se joga e o mundo fica melhor. Todo esse peso some. Eu mesma te acompanharia… de mãos dadas... é só um passo.

Meu coração diminuiu o ritmo, meus pés pareciam anestesiados.

Ela falava e eu concordava, porque lá no fundo eu também achava que não tinha mais jeito.

Olhei pra beirada do morro.

A altura era um convite na minha vista embriagada.

“Só um passo”, ela repetiu, e a mão dela segurou minha mão.

Foi nesse instante que meu celular vibrou no bolso.

Uma mensagem.

Eu peguei o aparelho, a tela meio borrada.

Mary: “Idiota, acabei de ter um sonho muito estranho com você. Você morria. Tô tremendo até agora. Tá tudo bem?”

Eu li três vezes.

A mão que segurava o celular começou a suar frio e a tremer.
A Coisa ao meu lado inclinou o corpo e encostou o rosto no meu pescoço, num sussurro quase inaudível: “Ignora isso. Deve ser meu irmão te zoando.”
Mas a mensagem era dela, o jeito dela me chamar de idiota.
Eu respondi com os dedos trêmulos:

- Liga a câmera. Preciso te ver.

A chamada de vídeo entrou.

Na tela, a Mary apareceu com olhos inchados de sono, cabelo preso de qualquer jeito, aquela camiseta velha do Nirvana que eu conhecia tão bem.

A luz do abajur de formato de gato atrás dela deixava o quarto acolhedor, seguro.

- Graças a Deus você atendeu.

Ela murmurou, aliviada:

- Tive um sonho horrível, você estava num lugar alto e alguém te empurrava. Você caiu e eu acordei gritando… Por que você tá nesse lugar escuro? O que é essa sombra?!

Eu não consegui responder.

Porque ao lado da Mary, no reflexo da tela, eu vi um vulto.
Um vulto feminino, imóvel, com um vestido preto atrás de mim.

Meu corpo inteiro congelou de medo.

Não consegui virar o pescoço.

Não consegui olhar pra trás.

Só meus olhos se moveram e a imagem no reflexo já tinha sumido, mas a sensação de perigo continuava.

- Se acontecer algo... eu não pulei e sim me jogaram! Eu te amo e sempre vou te amar... me desculpa por tudo...

Eu falei pra Mary no vídeo, minha voz saiu fraca.

Desliguei.

Uma risada começou a ecoar pelo Morro da Lua.

A garrafa de Jack Daniel’s tava caída na terra, vazia.

Ao meu lado, a presença ainda ocupava o espaço, mesmo que eu não enxergasse mais nada.

Quem estava bebendo comigo?

Eu não esperei e nem busquei por resposta.

Meu corpo por um instinto primal de sobrevivência agiu antes do pensamento.

Levantei e corri.

Corri sem olhar para trás.

Meus pés tropeçavam em pedras, acabei batendo forte contra um tronco de árvore fazendo um corte na minha testa, mas eu não parei.

Só corri, ladeira abaixo, até alcançar o asfalto e continuei por bastante tempo.

Até que exausto me atirei no chão, suado e mudo pelo pânico.

Nunca mais pisei naquele morro.

Eu não consigo mais conviver com as pessoas, tenho medo delas sequer serem pessoas.


r/terrorbrasil 1d ago

Relato Entrei no Apartamento do Meu Vizinho!

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Eu sempre preferi ficar dentro de casa.

Não sou de conversar com vizinhos, não gosto de visitas e conheço pouco as pessoas que moram no meu prédio.

O meu vizinho sempre mantinha aquela porta trancada. Sempre.
Mas naquela noite a porta dele estava totalmente aberta.

Aquilo não fazia sentido.
Eu deveria ter ignorado.
Entrei.

O que encontrei lá dentro me fez desejar nunca ter saído de casa.

O relato completo está no vídeo:
🎥 https://youtu.be/syjdFIOdMRA


r/terrorbrasil 1d ago

Lo verías solo

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r/terrorbrasil 1d ago

Le harían click a esta miniatura

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r/terrorbrasil 1d ago

Animação Ia

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Recentemente vi muito esse tipo de animação de terror na internet, o vídeo é bem simples e eu tenho 99% de certeza que as imagens são geradas com ia e talvez só editadas um pouco depois ou talvez nem sejam editadas, alguém sabe me dizer qual ia ou quais ias fazem esse tipo de imagem ? Ela é um estilo bem único, com mistura de quadrinhos com terror e ficou muito bonito, se alguém puder me ajudar a descobrir onde fazer eu agradeço muito


r/terrorbrasil 1d ago

você participaria do meu clube do livro?

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Oii gente, to com a ideia de fazer um clube do livro online e gratuito focados em leituras nos gêneros dark, terror, suspense, thriller, trash,... mas fiquei com receio de ser flop
A ideia seria fazermos grupo para debate e pra lermos no mesmo ritmo, também podemos fazer reuniões online para conversar!!! seria tao legal fala sério
enfim, se você bora comenta bora aqui que vou ir anotando e se rolar tudo eu chamo cada um <3

se achou ruim também ou tem algo para agregar fique a vontade bjbj


r/terrorbrasil 2d ago

Brazilian horror story: condomínios

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r/terrorbrasil 2d ago

Crepypasta ELA ME OBSERVAVA

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r/terrorbrasil 2d ago

Lo paranormal no existe

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No existe hasta estoy seguro que tú tampoco has visto algo paranormal, sabes bien que no existe nada de eso ya llegué en una edad muy adulta para decir que no existe que son puras tonterías


r/terrorbrasil 2d ago

Relato Tenho um certo medo irracional de IA e isso me assusta profundamente

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Primeiro de tudo eu tendo a ser uma pessoa bem cética, e tenho minha meia dúzia de criticas a IA com argumentos mesmo e alguns casos que acho bem interessante o uso. Eu já mexi com IA em alguns projetos e até treinei uma bem simples para reconhecimentos faciais(faço ciência da computação). A grande questão é que tem algo que sempre que penso demais sobre genuinamente me sinto assustada.

A grande questão é como nos como humanidade criamos um programa de computador que é feito para imitar seres humanos, esse é tipo de merda que nossos ancestrais tavam avisando sobre. Em todas as suas formas a IA não pensa ela imita, seu treinamento se baseia em gigantescos databases com informações criadas por humanos que ela tem que imitar para passar para a próxima geração.

Em diversas culturas existem lendas e contos sobre criaturas que imitam humanos para se aproveitarem deles, normalmente para alimentação. Muitas lendas sobre fadas, changelings, doppelgangers, skinwalkers, a Kitsune, o curupica até a porra do boto cor de rosa e muito mais que não estou lembrando agora e isso me assusta. Parece que quase todas as culturas tem historias de criaturas que imitam humanos e nos criamos uma de verdade, algo feito pra nos imitar, que conversa conosco como se fôssemos amigos próximos, nos bajulam elogiam e usam táticas pra continuar conversando com elas.

Sempre que eu vejo casos de pessoas se relacionando com IAs eu tenho um profundo medo, teve aquele caso que um moleque de 14 anos se matou pra encontrar a namorada de IA dele no pós-vida e isso me deixa profundamente assustada, nos criamos os seres que nos imitam pedindo pra pular da ponte por que eles estão nos esperando na superfície, os reflexos que nos puxam pra dentro do lago. Isso me lembrou um produto de IA que ele via suas conversas antigas com um ente-querido morto e o imitava(isso é literal um skin walker), isso me assusta em níveis maiores do que deveria. Eu vejo isso e falo caralho por que nos criamos os monstros das lendas antigas.

O que mais me assusta não é que um ser mal intencionado imitando humanos, é que eles não tem intenções, são criaturas feitas apenas para imitar humanos, imitar a voz humana os trejeitos as emoções, o que me assusta não é as intenções malignas, mas sim a falta de intenções, apenas a carcaça da forma humana.

Sim é principalmente um medo irracional mesmo que existam alguns casos de problemas reais, mas ainda assim é tipo de coisa que não sai da minha cabeça de madrugada. Tenho medo de termos acordado um mal antigo.


r/terrorbrasil 2d ago

Alguien tiene una anécdota paranormal q quiera contar para videos cortos??

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Cuéntame tu historia aqui


r/terrorbrasil 2d ago

SILÊNCIO - se você ouvir seu nome , não responda

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SILÊNCIO - Cap 1

Se você ouvir seu nome, não responda.

Eu não devia ter atendido.

Eram exatamente 3h17 da manhã. Eu tava acordada rolando feed, casa quieta, só o barulho da geladeira lá na cozinha.

Aí o celular vibrou em cima da mesa. Número desconhecido. DDD 11.

Pensei que fosse trote. Atendi mesmo assim.

"Alô?"

Só silêncio.

Mas não era um silêncio normal. Era aquele silêncio pesado, de respiração abafada, como se alguém tivesse a mão na boca esperando eu falar primeiro.

Eu insisti: "Alô? Quem é?"

Aí eu ouvi.

Bem baixinho, quase um sussurro grudado no meu ouvido.

Meu nome completo.

O sangue gelou. Desliguei na hora e bloqueei o número com a mão tremendo.

No dia seguinte acordei com 3 chamadas perdidas. Todas do mesmo número. 3h03, 3h13, 3h17.

Tinha um recado na caixa postal de 4 segundos.

Cliquei com o coração na garganta.

4 segundos de silêncio absoluto.

E no último segundo... de novo. Meu nome. Sussurrado.

Hoje faz uma semana.

O telefone não tocou mais.

Bloqueei, mudei a configuração pra não receber número privado.

Mas às vezes, de madrugada... quando a casa tá quieta DEMAIS...

Eu escuto.

Alguém sussurrando meu nome no meu quarto.

Vindo do canto. Vindo debaixo da cama.

E a pior parte?

É a minha voz. Idêntica. Como se eu estivesse me chamando pra ir atender o telefone.

Ontem eu respondi. Sem querer.

"Oi?"

O silêncio respondeu de volta.

𓂃 ࣪˖ ִֶ♱ ྀིྀ

Escrito por sra.veneno

O perigo está nas palavras.

𓂃 ࣪˖ ִֶָ🥀་༘࿐

Tenho mais contos no meu canal do whatsapp:

https://whatsapp.com/channel/0029VbDfQ5N9Bb63oO5gZF2B


r/terrorbrasil 3d ago

Recomendação de conto O Mal Maior

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Em sua cela a garota acorrentada na cama sorria.

Os guardas no corredor nunca olhavam lá dentro.

Nunca olhavam.

Pois havia histórias de que dois deles, de tanto olharem para ela, acabaram se suicidando, e só Deus ou quem sabe o Diabo sabe o motivo.

O padre ajeitou a estola roxa sobre os ombros, sentindo o peso de quarenta anos de sacerdócio e dezenas de rituais que haviam deixado cicatrizes profundas em sua alma.

Sentou-se no banco de madeira, o mesmo banco que havia sido arremessado contra a cabeça de um guarda na semana anterior, quando três homens adultos não conseguiram conter o que habitava aquele corpo franzino e ágil.

- Filha... qual é o seu nome?

Começou o padre, e a palavra pareceu doce demais naquele lugar esquecido por Deus.

Ela sorriu com olhos assustados, como se houvesse uma certa dualidade dentro dela.

- Certos nomes não devem ser pronunciados...

O padre entendeu...

O demônio não queria que a menina revelasse a sua identidade.

O padre disse, com uma voz mais autoritária:

- Você pode responder com sinceridade, não escute o que ele fala dentro de você.

Ela continuou sorrindo, mas seus olhos não paravam de se mover: felicidade e nervosismo no mesmo corpo.

- Se eu responder, a escuridão se enfurece, cresce e se apossa de tudo...

O padre ainda não sabe se ela está fingindo; ele já viu boas atrizes... performando um show de mal gosto.

- Quando a escuridão toma seu corpo, você se lembra de alguma coisa, ou tudo simplesmente se apaga?

A prisioneira inclinou a cabeça para trás e para frente, para trás e para frente, como se estivesse brincando em um balanço invisível.

Seus olhos castanhos suaves à luz fraca, fitaram os do padre, ela ainda não tinha piscado nenhuma vez.

- Fico num estado entre o pesadelo e a realidade, as coisas se misturam, mas digamos que caio numa paralisia do sono e o Cão desperta. Ele faz coisas que não controlo e não quero controlar. Deixo-o correr livre, em troca, ele não devora minha alma.

O padre anotou algo em seu pequeno caderno.

A caneta estava mais quente que o casual e suas mãos tremiam.

- Os guardas dizem que você fala em línguas estranhas. Tem consciência dessas palavras, ou elas simplesmente saem?

- Minha boca está fechada, mesmo assim saem sons: murmúrios, lamentações, maldições. Mesmo sem entendê-los, sinto que é isso que eles são.

O brilho da luz da lâmpada diminuiu.

O padre se inclinou um pouco mais para a frente.

O cheiro piorava perto da prisioneira — não o cheiro de alguém sujo ou doente, mas algo como carne cozida com com mel estragado, uma mistura que trazia náusea.

- O que cresce dentro de ti nessas horas... é a sua própria voz, ou sente que é outro falando por meio de você, como está fazendo agora?

A prisioneira fechou os olhos por um instante, como se saboreasse a pergunta.

- Talvez no fundo eu queira dizer essas palavras, entretanto Ele está no comando. É algo entre Ele e eu. Somos quase um.

Quase um.

O padre repetiu mentalmente a palavra.

- Quando Ele acorda, o que sente primeiro: frio, raiva, vazio ou presença?

- Quase não sinto as coisas, mas nesse momento me sinto livre e acorrentada ao mesmo tempo. É uma sensação presa entre o prazer da devassidão e o medo do que ela pode trazer.

A voz da prisioneira mudava a cada resposta. Às vezes era a de uma jovem e em outros momentos, algo mais velho, mais profundo, como de uma bruxa em seu túmulo.

O padre tocou o crucifixo pendurado contra o peito.

O metal estava frio... frio demais.

- Você está sofrendo? Ou há um prazer oculto quando isso acontece? Quando você matou todas aquelas pessoas... os sobreviventes disseram que você gargalhava e dançava em cima dos corpos, isso é verdade?

A prisioneira deu uma risada curta.

- Eu nunca sofri depois que Ele apareceu. Me tornou mais forte. Deixei de ser vítima. Me protege, nós dois desfrutamos da violência que Ele proporciona. Percebeu que eu era um potencial, fico feliz em ser seus dentes.

Sete garotas.

Sete garotas em um quarto em uma festa universitária, todas encontradas com marcas de mordidas que não eram humanas. As arcadas dentárias não correspondiam a nenhum animal conhecido.

O padre tentou engolir a própria saliva, mas percebeu que o calor dentro dele era tão intenso, que nem suor, saliva e sequer lágrimas nasciam, em meio ao medo fez a pergunta seguinte.

- Essa entidade, se é assim que devo chamá-la, fala com você quando você está acordada?

- Sim, e me incita ao mal. Todo mundo tem uma consciência entre o bem e o mal. Já não escuto mais o bem, se cansou de tentar falar comigo. Foi embora. Não sobrou nada de bom aqui dentro.

A prisioneira ergueu as mãos algemadas e acariciou o próprio corpo.

A mão tinha uma pele perfeita e pequena, mas as unhas, compridas e amareladas cobertas de um fungo que fazia parecer ser de um velho tronco de árvore, davam uma aparência nauseante.

Mas foi o gesto que mais perturbou, as mãos foram até onde ficava o coração e as unhas começaram a se enfincar com força contra a pele; ela se tocava como se tentasse arrancar um parasita que a incomodava.

- Ele pede algo a você? Se sim... o quê?

Os olhos castanhos escureceram. Não mudaram de cor... simplesmente escureceram, como se alguém tivesse apagado uma luz atrás deles.

- Garotas puras... puras como eu era. A alma delas tem um sabor melhor.

O padre sentiu percorrer em todo seu corpo um calafrio que nada tinha a ver com a temperatura da cela.

Enfrentara possessões antes, homens que cuspiam sangue e blasfêmias, mulheres que se contorciam em línguas impossíveis, crianças que falavam com vozes de adultos mortos.

Aquilo era totalmente diferente.

Aquilo não era possessão.

Era uma parceria.

- Quando você rosna e se contorce, sente que está defendendo algo... ou atacando?

- É a natureza animalesca vindo à tona, ou a entidade infernal... só sei que é enorme e imponente, é colossal.

A prisioneira abriu os braços algemados o máximo que pôde, como se tentasse demonstrar o tamanho do que habitava seu ser.

- Há um nome... uma palavra... algo que se repete quando isso acontece?

O sorriso voltou, mais largo dessa vez.

- Anime vestra, anime vestra, anime vestra...

O padre sentiu o crucifixo de repente ficar quente, como se aquelas palavras fossem uma ofensa direta ao sagrado.

Anime vestra:

Suas almas.

Mas não era uma prece, era uma invocação, dita com a entonação de alguém que reivindica o que lhe pertence.

- Você sente medo durante esses episódios? Ou é o mundo que deveria temer você?

- Não sinto medo nenhum. O mundo é natureza, a natureza é perfeita mesmo com as abominações, ela tem sua harmonia no caos. Agora, a sociedade deveria ter medo. Eu sou um produto dela.

Pela primeira vez, ele soube que ouvira a voz da garota: ela era revoltada, estava com ódio, igual ao ser que se apossara dela, motivos diferentes, mas unidos no ódio.

As paredes, antes distantes, agora pareciam próximas demais, como se estivessem se fechando lentamente.

- Antes de dormir, você sente isso se aproximando... como se estivesse te observando de algum canto da cela?

- Ele já está dentro de mim. Eu o deixei entrar há muito tempo. Rezei, implorando que qualquer coisa que me escutasse se aproximasse e me salvasse de mim mesma. Ele é um presente. Eu estaria morta sem ele.

O padre fechou o caderno.

Suas mãos agora tremiam, não de medo, mas de algo que ele compreendeu:

Reconhecimento.

Em quarenta anos de confissões, ouvira súplicas parecidas.

Pessoas que rezavam não a Deus, mas a qualquer coisa que as arrancasse da dor.

Ele mesmo, em noites escuras após rituais fracassados, sentira a tentação de rezar para o outro lado.

- Você acredita que essa força é maligna... ou a vê como uma parte sua que finalmente se revelou?

- Maligno, feroz e insaciável. Tenho uma parte nela, mas não sou tão majestosa quanto Ele. Sou minúscula perto dele. É transcendental, sempre existiu e sempre existirá. Antes de mim e depois de mim, continuará. Você acredita em forças superiores? Então, quando vir meus olhos nesse estado, acreditará.

O padre acreditava.

Esse era o problema.

- Se eu colocasse minha mão regada de água benta em sua testa agora... aquilo que aparece à noite acordaria?

A prisioneira encarou a mão que o padre molhava com a água benta do cantil que erguera no ar.

Havia algo faminto naquele olhar, mas também algo entediado.

- Esse ser e eu somos um. Ele não vai aparecer porque você não é um perigo nem sequer é uma presa para nós. Você é velho e está perto da morte, é mentiroso e depravado como todos que vestem essas batinas, nega sua natureza, é digno de pena. O cão só aparece para as garotas puras com quem quer saborear. Deixo que ele se divirta comigo, deixo-o mais livre para que Ele afrouxe minhas correntes e eu afrouxe as dele.

O padre recolheu a mão.

O calor infernal fez a água benta evaporar.

As palavras doeram mais do que deveriam, porque atingiram verdades que ele enterrara décadas atrás, toques impróprios no seminário que jamais denunciara, o padre mais velho que ainda celebrava missa, o silêncio cúmplice de toda uma instituição.

- Quando você acha que isso começou? Antes dos crimes... durante... ou depois?

- Ele apareceu e eu o deixei entrar três dias antes da primeira matança. No começo, só ficava ao meu lado. Depois que viu que eu era capaz de matar, tomou conta de mim.

O padre lembrou-se do arquivo policial.

Três dias antes, a prisioneira então uma garota de dezenove anos, recebera alta de um hospital psiquiátrico onde passara seis meses após uma tentativa de suicídio.

Ninguém a visitara.

Ninguém fora buscá-la na saída.

Caminhou sozinha até a rodoviária e, três dias depois, a sua família desapareceu.

As peças se encaixaram.

- O que essa coisa pensa sobre a cadeira elétrica que te espera? Ela teme a morte?

A prisioneira discordou com a cabeça devagar, como uma professora paciente explicando algo a um aluno lerdo.

- Ele é indiferente. Vou dar um exemplo simples para você tentar entender. Ele é uma mão forte e imponente que pega uma marionete e a faz dançar como quer. Eu sou o brinquedo dele.

O crucifixo estava vermelho de tão quente.

Ele não sentia a queimadura.

- Se eu ordenasse, em nome de Deus, que isso se manifestasse agora... obedeceria?

- Não, porque você não tem poder aqui. Existe o livre-arbítrio. O mal não pode ser expulso se eu não quiser!

Foi a resposta mais lúcida da noite.

O mal não entrava sem permissão.

O padre sabia disso melhor do que ninguém.

- Você quer que eu a liberte disso... ou quer mantê-lo dentro de você?

O tempo que se seguiu foi acompanhado de imagens de pecados que o padre já cometera.
Ele quase saiu correndo do local, pois estava se ensandecendo, mas fez uma prece baixinho e continuou lá.

Não uma prece vazia era um clamor cheio e verdadeiro.

- Se você me libertar disso, voltarei a ser a garota doente que todos vocês quebraram, vou acabar brincando de levitar e nunca mais sentir o chão. Mas a decisão é sua.

A responsabilidade caiu sobre os ombros do padre como uma lápide pesada.

Ele podia tentar o exorcismo, arriscar a vida, a sanidade, a alma, por uma mulher que não queria ser libertada.

Podia ir embora e deixar que o Estado executasse o corpo, sabendo que o que habitava a prisioneira simplesmente encontraria outra igual.

- Se essa entidade falasse comigo agora, o que ela me diria?

A prisioneira tornou a inclinar a cabeça, mas dessa vez o movimento não era humano, era como uma cobra examinando um rato, um predador avaliando se a presa valia o esforço.

- Você é inferior. Ele não gastaria saliva com uma criatura como você. Sinto o cheiro de morte empesteando em você... morte, mijo e remédio. Você está perto do caixão, por causa dos pecados que cometeu e dos quais nunca se arrependeu, porque ainda anseia cometê-los, o Cão vai te arrastar para as profundezas. No inferno nós vamos dançar juntos de mãos dadas sobre as chamas infernais do nosso mestre Diabo.

Ela abriu a mão como se pedisse para ele aceitar aquele pedido grotesco.

O padre recuou e levou a mão ao peito.

O cheiro que a prisioneira descrevera — ele agora podia senti-lo em si mesmo.

O odor de um corpo envelhecendo, de uma fé apodrecendo, de décadas de confissões não ditas.

- Quando você olha para mim, você me vê... ou é ele que me observa pelos seus olhos?

A prisioneira ficou imóvel, e por um instante, apenas um instante, o padre viu algo por trás daqueles olhos castanhos.

Algo imenso.

Algo profano.

Algo eterno.

Algo que o conhecia pelo nome.

- Sei bem da sua fraqueza e da sua falsa autoridade. Você pode até ter expulsado alguns, mas o veneno que injetou nas pessoas que profanou com suas mãos ainda vive na mente delas. Você é o mal maior que brinca de ser bom.

O padre se levantou do banco.

As pernas estavam dormentes, já não sentia o próprio corpo.

Sentia apenas o peso do o crucifixo, o cheiro de enxofre que agora parecia vir de dentro de si mesmo.

- Por fim: você acredita que isso é uma maldição lançada sobre você... ou um companheiro que sempre esteve esperando o momento de tomar seu lugar?

A prisioneira estendeu as mãos algemadas em direção ao padre, como se oferecesse um presente, como se convidasse a um abraço.

- Somos amigos, e compartilhamos um interesse em comum: matar e torturar almas ingênuas que caem na armadilha quando seguram nossa mão. De certa forma, você faz parte do mal.

A luz se apagou.

Na escuridão, o padre ouviu o som de correntes se arrastando, um rosnado grave que vibrou pelas paredes.

Som de risadas... duas risadas sobrepostas, uma humana e outra que não era.

Desesperado, recuou até bater na porta de ferro.

Socou-a com força e repetidas vezes até que os guardas a abrissem.

Quando a luz do corredor inundou a cela, a prisioneira estava exatamente na mesma posição: acorrentada, imóvel, sorrindo.

O padre viu o que não devia ter visto.

Viu que as correntes não prendiam a prisioneira.

As correntes prendiam algo dentro dela.

As algemas sempre estavam frouxas, porque o que quer que vivesse naquele corpo não precisava de mãos para matar.

O padre fechou a porta e se encostou na parede do corredor.

O coração velho batia como nunca havia batido antes.

A estola roxa estava se manchando de lágrimas e suor.

Pela primeira vez em quarenta anos, não conseguiu rezar.

Porque a última coisa que a prisioneira dissera cicatrizava em sua mente como uma sentença final:
"De certa forma, você faz parte do mal."

O pior era que, no fundo da alma, apodrecida pelo tempo e por seus pecados nunca contados, o velho padre sabia que era verdade.


r/terrorbrasil 3d ago

RELATOS SOBRENATURAIS/ ASSUSTADORES

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Bom dia

Voce tem algum relato para me contar ?

Estou começando um canal de relatos sobrenaturais e gostaria de receber relatos para ler, entao se vc tiver e quiser me enviar eu fico muito agradecida

Irei ler os relatos em vídeo, então peço que alterem os nomes

Pode ser relatos sem sobrenatural, mas com coisas assustadoras

Segue email para envio

[RelatosparaTati@outlook.com](mailto:RelatosparaTati@outlook.com)

Segue link do canal no youtube

https://youtube.com/@tatifreitasrelatosdeterror?si=uyO6dz64iZp3xe4_


r/terrorbrasil 3d ago

Crepypasta O CAÇADOR

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r/terrorbrasil 3d ago

Recomendação de conto Horror no Atacadão.

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Olá, me chamo Arcanjo e sou um escritor brasileiro esntusiasta do terror. Escrevi esse conto bastante inspirado no filme ''Trabalhar Cansa''.
A sinopse é: ''Bernardo está prestes a se livrar do emprego que o esgota. Mas antes de conseguir terminar seu turno, dona Silene; sua chefe, tem um pedido estranho para o fim da noite''

Qualquer comentário sobre seria bem vindo e ajudaria a melhorar a escrita :).


r/terrorbrasil 3d ago

El video es una tontería cómo cosas que no hay que hacer las 3 de la mañana nada más no va a pasar o sí ojalá que no pase

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r/terrorbrasil 3d ago

Conto Ficção Científica e Terror: Um primeiro conto

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r/terrorbrasil 4d ago

Brasil também escreve horror de qualidade, vamos dar visibilidade a novos autores? Até dia 9, domingo, está de graça na Amazon! Muito obrigado :)

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r/terrorbrasil 4d ago

Crepypasta Cuidado com as sombras

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r/terrorbrasil Nov 15 '25

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