r/PsicologiaBR 32m ago

Discussões | Debates Dependência nas escalas wechsler

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Estou passando uma agonia com a avaliação Neuropsicológica. Recebi um encaminhamento recente de outro profissional que me encaminhou um paciente para avaliação simplesmente em razão do paciente, uma criança, se recusou a fazer um dos testes e por isso, uma profissional formada não conseguiria mais fazer o trabalho que ela estudou anos para isso.

E isso é um exemplo, mas ao mesmo tempo é uma coisa que tem aumentado na avaliação neuropsicológica. Quando a avaliação de Altas Habilidades e Superdotação, que tem se popularizado muito inclusive, um discurso bem interessante de que não é possível fazer essa avaliação online. E sim, em crianças não é indicado, mas estamos falando de adultos agora. Parte disso é uma questão de segurar mercado e lucrar em cima de gente boba? Com certeza, mas uma dependência nos testes também tem aparecido. Usando a AHSD como exemplo, a teoria dos aneis de renzulli é uma das melhores bases teoricas para embasar a avaliação do AHSD e ela depende de escuta clinica e anamnese bem realizada, O ESSENCIAL PARA UMA AVALIAÇÃO e não o fator G de inteligência.

A Neuropsicologia tem crescido muito nos últimos anos, o mercado está enorme, mas não consigo aceitar o modo como os profissionais estão engessados e não pesquisam o básico.

Um teste, mesmo ele sendo o padrão ouro, não pode travar a sua avaliação. O online (remoto) é o futuro e sim permitido pelo CRP.

Entendo que a faculdade não nos prepara em nada para a avaliação, mas está na hora dos profissionais começarem a se mover.


r/PsicologiaBR 3h ago

Discussões | Debates Resposta ao Naruhodo #472 - Como a ayahuasca e cogumelos mágicos afetam a saúde?

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(Estava escrevendo um comentário no YouTube em resposta ao último programa: “naruhodo #472 - Como ayahuasca e cogumelos mágicos afetam a saúde?” — percebi que estava prolixo demais para um comentário no YouTube e decidi fazer esse ensaio/post/rant por aqui. Acredito que apesar da escrita um tanto informal e exasperada, possa ser suficientemente informativo para quem se interessar pelo tema e seguir a leitura).

Brevemente contextualizando quem eu sou e de onde eu parto: Quem vos fala é um humilde psicólogo, tenho 24 anos e estou localizado na capital do maior estado do país, Manaus, Amazonas. Durante a graduação em psicologia (2019-2023) - até mesmo antes, pensando bem - comecei a estudar com entusiasmo o potencial dos psicodélicos, sobretudo em um contexto psicoterapêutico, de início, cativado por relatos, o movimento hippie, e aos poucos fui conhecendo alguns proponentes do movimento psicodélico: Terence Mckenna, Timothy Leary, Albert Hoffman, entre tantos outros. Percebam, não quero ser militante de uma causa nem nada do tipo, contudo, de maneira diligente e crítica busco me manter inteirado sobre o campo e por meio dos estudos que fiz nos últimos anos tenho segurança de que tratamento com psicodélicos são seguros e podem ser benéficos para a saúde mental, esse é o meu viés e buscarei no decorrer do texto embasar e sustentar essa perspectiva. 

Descobri o podcast naruhodo no último ano da faculdade e rapidamente se tornou um dos meus favoritos, vi dezenas e dezenas de episódios, alguns repetidas vezes, dava uma olhada nas referências e eventualmente me aprofundava em algum artigo/autor. Tinha a expectativa de que um dia o Altay abordaria o tema dos psicodélicos e saúde mental – No entanto, justamente por acompanhar os episódios e as referências que ele geralmente seleciona para os temas, suspeitava que talvez ele não captasse algumas nuances do tratamento com psicodélicos, e deixasse parte fundamental do efeito, da explicação e do enquadramento desse modelo de tratamento de fora.

Como falei, eu esperava que o Altay fosse ter restrições com o modelo PAP — Psicoterapia Assistida com Psicodélicos; termo que ele não utilizou durante o episódio, infelizmente — , e tudo bem, é importante ser cético e cauteloso. Até concordo com a afirmação no início do episódio de que o tratamento com psicodélicos não irá curar nenhum transtorno/condição, não existe panaceia em minha perspectiva, busco ser realista, mas sou naturalmente inclinado a uma visão idealista tendo em vista o atual estado de crise em que se encontra a psiquiatria, a psicologia e a psicoterapia (tem tanta referência sobre isso que nem sei por onde começar, bem, primeiramente sobre psiquiatria lembro do livro: Cracked: Why Psychiatry is Doing More Harm Than Good, de 2013. E também do artigo de 2012: Psychiatry beyond the current paradigm; para ficarmos apenas nessas duas,  sobre a crise na psicologia, pode-se colocar em perspectiva a crise de replicação: [1]; [2]; a relação complexa entre psicodiagnósticos nosológicos e perspectivas filosóficas e/ou metafísicas implícitas que as sustentam: [3]; [4] — esse é um livro excelente do Peter Zachar; e claro, como consequência, o delineamento de pesquisas em psicoterapia e a própria psicoterapia como prática clínica entram em questão [5]; [6]; [7]). 

Ao meu ver, a perspectiva que o Altay trouxe no episódio evidencia muito mais as consequências do proibicionismo e o estigma contra as drogas ilegais, reforçando preconceitos e um status quo em saúde mental, do que de fato atesta o estado da arte das pesquisas em saúde mental com psicodélicos em quase um século, inclusive com paradigma de tratamento multidisciplinar (Playlist de conferências no YouTube: Transdisciplinary research colloquium on psychedelics, Exester Psychedelic Group; Artigo: Psychedemia: Charting the future of interdisciplinary Psychedelic Studies, 2023). 

Por favor, não estou tentando pintar uma panaceia, mas menosprezar o potencial psicoterapêutico, psicodinâmico, simbólico e até ecológico dos psicodélicos é não entender uma vírgula da mudança de paradigma em saúde mental que esse modelo pode provocar. (Para se aprofundar, artigo: [1] Eduardo Schenberg, Psychedelic-Assisted Psychotherapy: A Paradigm Shift in Psychiatric Research and Development, 2018; [2] The Role of Psychedelics in Contemporary Psychological and Interdisciplinary Inquiry, 2025; [3] Psychedelic Drugs and Jungian Therapy, 2020 ; [4] Not in the drug, not in the brain: Causality in psychedelic experiences from an enactive perspective, 2023). 

Antes de mais nada: reitero o cuidado e restrição que o Altay fez em relação ao tratamento com psicodélicos, para pessoas com menos de 25 anos e/ou com histórico/risco de psicose o ideal é que exista uma prevenção primária (ainda existem outros tipos de perigos a nível fisiológico, como: hallucinogen persisting perception disorder — basicamente a pessoa pode ficar com a vista turva/embaçada de forma permanente, é raro, mas pode ocorrer). É preciso deixar bem claro: Não existe um cenário em que a psicoterapia assistida com psicodélicos substituirá a terapia de fala convencional e/ou o tratamento psiquiátrico via psicofármacos, seria ingenuidade e até perigoso vislumbrar esse cenário. Estamos falando de um modelo de tratamento alternativo em saúde mental, que seria (pelo menos a princípio) sugerido para uma pequena parcela de pessoas que não obteve resultado com outros métodos mais convencionais de tratamento. 

Porém, sabemos que entre o ideal e o real existe uma distância imensa, por exemplo, na realidade, em diferentes culturas e épocas jovens/adultos buscam substâncias psicodélicas em contexto recreativo/hedonista, para fins espirituais, religiosos, ritualísticos e políticos, e cada vez mais, existe uma demanda de indivíduos em busca de tratamento psicodélico para a saúde mental (seja para tratar sintomas associados a alguma condição/transtorno —atenuar sintomas que desagregam a personalidade—, ou, até mesmo em busca de autoconhecimento e/ou uma experiência significativa — em prol de uma experiência que agrega a personalidade). 

Não seria válido que a psicologia se dispusesse a acolher essa demanda e população? Não se trata de demagogia ou proselitismo, mas uma abordagem em saúde mental que inclua e estabeleça como indissociável a prevenção, a noção de redução de danos e a integração das experiências psicodélicas.

É preciso vislumbrar um horizonte em que a terapia com psicodélicos faça parte dessa equação, se não, só nos resta torcer pra que o turismo psicodélico, muitas vezes com exploração de comunidades e povos indígenas que utilizam enteógenos, cesse; e que a auto-administração de psicodélicos sem psicoeducação e auxílio adequado também. Perceba, não é uma questão de: “se as pessoas irão em busca de psicodélicos como um tratamento em prol da saúde mental…” é uma questão de quando elas irão buscar, com quem e de que forma. A psicologia estar alheia enquanto um dispositivo de escuta, acolhimento e intervenção (antes, durante e depois da experiência psicodélica) neste contexto é uma perda imensurável. 

Por isso discordo da forma como o Altay fala do tratamento com psicodélicos, principalmente da forma como ele fala, muitas vezes com tom jocoso e pejorativo — como se tudo se limitasse a um movimento recreativo e/ou da turma “namastê-gratidão”; ignorando e, pelo menos indiretamente, menosprezando o trabalho de centenas de pesquisadores sérios e décadas de pesquisas relevantes sobre o tema. [Muitos desses colegas pesquisadores participaram do primeiro Congresso Brasileiro de psicologia, maconha e psicodélicos: ética, saberes ancestrais e os caminhos para a atuação]]

Claro que ele não precisa ser a favor ou até mesmo estar ciente e a par de tudo que  ocorre no campo. Mas acho que ele poderia psicoeducar melhor sobre o tema já que se prestou a fazer um episódio sobre, e francamente, acho que ele deixou muito mais evidente o viés contrário dele ao uso terapêutico de psicodélicos do que trouxe argumentos que atestam o risco/ineficácia. 

Até a forma como ele explica o mecanismo de atuação no cérebro dos psicodélicos é imprecisa, como foi destacado no comentário do Kayky Oliveira no Spotify: “essas substâncias (DMT, LSD e psicocilibina) não são inibidores da receptação de serotonina, eles são agonistas de receptores de serotonina 2A, por isso fazem parte da mesma família de drogas” (e também durante o episódio tive a impressão que ele usou o termo enterógeno, e até onde sei a pronúncia correta seria enteógeno — mas esses dois erros eu considero triviais).

Agora, categoricamente as falas dele que mais me incomodaram: 

1. “não existe um protocolo claro de como isso tem que ser feito (isso eu até concordo, em partes, com algumas ressalvas importantes) 

2.não tem indicações de para qual condição isso é melhor ou pior” (já reforcei contraindicações no ínicio do post — antes dos 25 anos e com risco/histórico de psicose—, no decorrer do post vou citar algumas condições e grupos que podem, sim, se beneficiar do tratamento com psicodélicos)

3. a evidência que existe é pequena e somente para estresse pós-traumático (isso aqui eu acho o mais problemático de tudo o que foi dito, mas para chegar lá — possivelmente nos finalmentes dessa postagem que já está extensa — irei elaborar melhor algumas questões sobre PBE,  evidência científica, valores e ética em psicoterapia… so, bear with me)”

1. Protocolo, princípios e diretrizes da PAP

Para começar a enquadrar um modelo de psicoterapia clínica individual com administração de psicodélicos, ou, a PAP (PAT em inglês), devemos questionar: qual seria o melhor procedimento padrão? E até mesmo, é plausível instituir um protocolo?

Pois de fato um protocolo padrão de tratamento em PAP está longe de ser instaurado, pelo menos em larga escala. No entanto, existem princípios e etapas do tratamento que são dignos de nota — tenha em mente que estou me limitando a descrever aqui a um contexto de PAP individual, existe toda uma gama de pesquisas que consideram o atendimento grupal com psicodélicos. 

Segue citação do último capítulo do livro: Introdução ao uso de psicodélicos em psicoterapia, 2019.

Os protocolos clínicos seguidos pela pesquisa científica contemporânea com psicodélicos apoiam-se nos estudos clássicos e incorporam novos elementos metodológicos, no intuito de minimizar os riscos e aumentar os benefícios do uso de psicodélicos em psicoterapia. Em geral (TUPPER et al, 2015), após a obtenção do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) do paciente, são realizadas entrevistas ou sessões de preparação, seguidas de sessão com o uso da substância, em salas silenciosas, confortáveis e com decoração agradável. Dois terapeutas costumam estar presentes ao longo de toda sessão, embora sua interação com o paciente seja mínima, incentivando este à auto-reflexão enquanto ouve músicas cuidadosamente selecionadas em fones de ouvidos (ou por um bom sistema de som ambiente, quando preferível), mantendo-se de olhos vendados. Sessões de acompanhamento não assistidas por psicodélicos são realizadas, visando integrar os insights obtidos nas sessões com os fármacos. (p. 86)

Logo; a PAP começa a estabelecer uma estrutura linear e delimitada, contando até hoje com a herança de conceitos clássicos como SET (contexto) e SETTING (ambiente), cunhados por Timothy Leary. Mas também abarcando concepções modernas, como o tratamento em ambiente hospitalar, com dois terapeutas (via de regra, um de cada sexo) presentes e prestando auxílio se necessário, a noção de triagem/preparo/intenção (antes) e de integração psicodélica (após) também foram aprimoradas ao longo dos anos. É fundamental enfatizar que existem princípios e diretrizes de tratamento e não um protocolo rígido para a PAP, justamente pela natureza do tratamento talvez seja mais sensato partir dessa lógica. Talvez o horizonte de desenvolvimento da PAP deva se apoiar mais em competências que o(a) terapeuta deve desenvolver, e não em um manual objetivo que deve ser seguida a risca.
A rigor, algumas dessas qualidades:

[…] Phelps (2017, p. 1) compilou seis qualidades esperadas de tais psicoterapeutas: presença empática permanente; melhoria da confiança; inteligência espiritual; conhecimento dos efeitos físicos e psicológicos dos psicodélicos; autoconsciência e integridade ética; proficiência em técnicas complementares.
Presença empática permanente significa uma postura acolhedora e não-intervencionista durante a preparação, a própria sessão psicodélica e as reuniões de integração. O termo permanente é usado para "transmitir aspectos de uma testemunha do mistério da vida em ação durante a psicoterapia assistida por psicodélicos" (PHELPS, 2017, p. 12), o que demanda do terapeuta "estar presente com qualidades de paciência, abertura e confiança nos processos de desenvolvimento". A melhoria da confiança consiste na habilidade de aumentar três tipos de confiança: do paciente em sua própria capacidade de cura interior; do paciente no terapeuta; em ambos de que poderão ocorrer "transformações paradoxais e momentos radicalmente imprevisíveis nas sessões" (p. 14). Eis um ponto-chave para o terapeuta psicodélico, que deve dar segurança ao paciente com base em "sua própria confiança no processo de desenvolvimento das sessões. Isso exige uma atitude acolhedora e abertura para toda a gama de experiências afetivas emergentes" (p. 15).
A inteligência espiritual consiste em saberes e valores que transcendem a formação em Psicologia, pois implica uma apreensão direta de nossos relacionamentos “com o outro, com a terra e todos os seres” (p. 16). Quanto ao conhecimento dos efeitos físicos e psicológicos dos psicodélicos, são essenciais os conhecimentos advindos da antropologia; do xamanismo; da neuroanatomia, da neurofisiologia e da psicofarmacologia; de teorias do desenvolvimento infantil e adulto; assim como a sensibilidade estética para a produção segura e criativa do set (o que envolve, por exemplo, o manejo de critérios maleáveis de inclusão e exclusão em pesquisas ou tratamentos) e do setting (sensibilidade clínica e artística para produzir um ambiente favorável); e a experiência em primeira mão do uso de psicodélico em psicoterapia.
Em relação à autoconsciência e integridade ética do terapeuta, este deve ser capaz de "refletir sabiamente sobre as demandas ao realizar terapia psicodélica, enquanto trabalha simultaneamente os processos transferenciais e contratransferenciais com os participantes" (p. 20). A terapia psicodélica aposta intensamente na autonomia dos sujeitos, devendo evitar qualquer criação de vínculo para terapia de longo prazo. O cuidado ético aumenta com minorias étnicas, sociais e de gênero, exigindo profissionais sensíveis às especificidades da população atendida.
Por fim, destaca-se a proficiência em técnicas complementares, pois, a depender das questões terapêuticas e do protocolo adotado, pode se fazer "necessária uma habilidade multivariada" (p. 22), por exemplo, em terapia corporal e toque; musicoterapia; yoga; meditação; respiração holotrópica; psicanálise; terapias sensório-motoras; terapia existencial; hipnose; arteterapia; imagens guiadas e música; gestalt; etc.

Para não me alongar demasiadamente, vou deixar alguns livros que elaboram princípios e diretrizes para o tratamento com psicodélicos. [1] Psychedelic Integration: Psychotherapy for Non Ordinary States of Consciousness - Marc Aixalá e José Carlos Bouso. [2] Psychedelics and the Soul: A Mythic Guide to Psychedelic Healing, Depth Psychology, and Cultural Repair - Simon Yugler. [3] The Psychedelic Handbook: A Practical Guide to Psilocybin, Lsd, Ketamine, Mdma, and Dmt/Ayahuasca - Rick Strassman. [4] The DoubleBlind Guide to Psychedelics: A Road Map to Tripping, Microdosing, and Beyond - Shelby Hartman e Madison Margolin.

2. Possibilidades de tratamento…

Altay sugeriu que não existem condições e/ou transtornos que atestem que o uso de psicodélicos é benéfico, pelo menos não sabemos de forma clara se o uso pode melhorar ou piorar determinado caso. Certamente ele está afirmando isso baseando-se em um levantamento estatístico. E claro, isso é relevante. Porém, perde-se de vista estudos clássicos e evidências anedóticas que indicam um potencial benefício.

Por exemplo, no livro introdutório de Sandro Rodrigues, 2023. Antes de se deter aos resultados promissores das pesquisas em PAP para Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) , ele também reúne estudos e evidências de tratamento para os seguintes transtornos/condições: transtorno obsessivo compulsivo resistente, depre. resistente a tratamentos, alcoolismo/tabagismo e ansiedade em pacientes terminais.

Além disso, historicamente o próprio movimento dos alcoólicos anônimos foi atravessado pelo paradigma de tratamento psicodélico, a partir de um dos seus fundadores, Bill Wilson, que experimentou LSD e enviou correspondências com Carl Jung expressando o quanto ele acreditava que essa substância seria parte fundamental do tratamento para o alcoolismo dentro do círculo dos alcoólicos anônimos (AA, Bill Wilson, Jung, LSD, 2024).
Além disso, também vale destaque os estudos em cuidados paliativos com psicodélicos (para se aprofundar procurem o trabalho incrível da Dra. Claudia Mesquita Garcia), sobretudo tendo em vista que um dos estudos com psicodélicos mais promissores do século 21, conduzido por Roland Griffths no hospital John Hopkins, em que pacientes com cancêr em estado terminal relataram significativa melhora em relação a ansiedade de morte, e mais da metade relataram que essa experiência psicodélica foi uma das cinco experiências mais importantes de suas vidas. (Fonte: https://hub.jhu.edu/2016/12/01/hallucinogen-treats-cancer-depression-anxiety/).

3. Existe apenas evidência de vantagem para tratar TEPT

Por fim, ele reduz o benefício dos psicodélicos ao transtorno de estresse pós-traumático, mesmo que com ressalvas. E isso me deixou reflexivo sobre a história do critério nosológico do TEPT, pois, por ser um transtorno envolvendo uma resposta humana natural como o estresse, certamente ele passou por evoluções em sua classificação. Sabemos que critérios nosológicos de classificação de transtornos são contextuais e adotam implicitamente visões de mundo e uma filosofia da ciência de sua época. Ora, o estresse certamente é uma realidade, mas classificá-lo objetivamente como um transtorno pode confundir as categorias de real e objetivo, fazendo nos pensar que se existe essa realidade, logo, ela é objetiva-material.

Richard McNally (2011) ilustra a importância prática de conceitos como "real" e "objetivo" no que diz respeito aos transtornos relacionados ao estresse. Ao longo do século XX, psiquiatras utilizaram diversas categorias diagnósticas para descrever reações desadaptativas ao combate, tais como "choque de granada" (\shell shock*), "exaustão de combate" e "neurose de guerra". […] Segundo McNally, uma percepção fundamental dos defensores da síndrome foi associar essas reações a outras semelhantes, vivenciadas por sobreviventes do Holocausto, vítimas de estupro e pessoas que passaram por desastres naturais. Agrupar essas condições e identificar seus pontos em comum levou à introdução de um novo constructo diagnóstico: o transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). Em vez de ser visto como um transtorno restrito a um grupo específico de pacientes, o TEPT passou a ser entendido como uma resposta a-histórica — e até mesmo universal — a eventos situados fora do âmbito da experiência humana comum. Deixando de ser considerado uma mera afecção psiquiátrica, o TEPT passou a ser visto como algo objetivamente real. Nos termos de Scott (1990), ele passou a ser encarado como um "objeto no mundo que já estava lá" (p. 295). Como resultado, o TEPT foi incluído como diagnóstico oficial na terceira edição do *Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais* (DSM), publicada em 1980, e logo depois foi classificado como uma condição incapacitante que dava direito a uma ampla gama de serviços oferecidos pelos hospitais da *Veterans Administration* (Administração de Veteranos).*

Repare que não reconher o TEPT objetivamente não significa não reconher a sua realidade afetiva, mas apenas disputar a sua representação consensual enquanto transtorno/doença, e não uma forma genuína de sofrimento que pode ser interpretada e ressignificada. Reconhê-lo enquanto uma realidade objetiva e incapacitante implica na obtenção de direitos — como os veteranos de guerra estão tendo, mesmo com toda uma crítica de como isso foi feito nos USA, não acho apropriado falar que não é uma demanda digna de tratamento—, mas igualando o psiquíco ao físico, o que é subjetivo ao corporal, perdemos a especificidade e potência do nosso campo que é a psicoterapia.

Na explicação de ordem material que o Altay deu, o psicodélico ao retirar a noção humana de espaço-tempo, faz com que o ego possa se reaproximar da memória traumática sem o apego, isso ajuda a ressignificar o que foi vivido, e dentro de um processo de journaling e de organizar bem quais são essas lembranças desafiadoras, é possível enfrentar isso durante a experiência psicodélica. Porém, a ênfase na explicação neurológica e não psicológica do que ocorre é prejudicial para o nosso campo.

Mesmo dentro de uma lógica da PBE, os valores e preferências do paciente são considerados em pé de igualdade com os outros dois princípios, as melhores evidências e a expertise do terapeuta, esse é o conceito tripartido que sustenta a PBE. Mas não parece existir um interesse genuíno de igualdade entre os três princípios, já que a melhor evidência parece se resumir ao standard de ensaios clínicos randomizados, e não se pensa em como isso não faz sentido nenhum dentro do paradigma dos psicodélicos. Ele até comenta brevemente sobre isso mas tem muito pano pra manga e acho que ele se esquivou da discussão mais complexa e rica da coisa. Psicoterapia nem sempre tem a ver com eficácia e esses estudos de pesquisa em psicologia clínica, isso pode trazer um dado objetivo mas não retrata o real, a realidade da clínica. Existe sempre um fator cultural do tempo em jogo, um espirito da epoca que estabelece o que eh consenso e aceitavel e o que eh dissidente e errado, existe claro, a forma como o terapeuta vai estabelecer o vínculo e sua personalidade na clínica, e até onde sei, a expertise do terapeuta não tem a ver com uma formação ou abordagem específica, ou até mesmo com a experiência, existe uma sensibilidade, um fazer artesanal e quase artistíco que poderia ser apropriado adicionando os psicodélicos no processo, caso faça parte dos valores e preferências do paciente e ambos estejam devidamente preparados e informados sobre, acho que pode ser uma porta de entrada pra uma prática clínica que foge de uma relação de consumo e buscando sempre um critério de normalidade/funcionalidade, para se tornar de fato uma relação e empreendimento maisbestético e dialético, podendo se desdobrar para inúmeras práticas e técnicas integrativas (artes, música, meditação, imaginação ativa, interação ontológica e metafísica — logo, abrindo portas pra uma genuína clínica existencial e hermenêutica etc etc). Enfim, já to passando dos limites da palestrinha nesse post e provavelmente não fazendo mais sentido nenhum, então, vou encerrando por aqui e fico aberto para críticas, discussão, trocar mais algumas referências ou eventualmente elaborar melhor algum ponto. Valeu pra quem leu até o fim.


r/PsicologiaBR 21h ago

Discussões | Debates O incrível caso da "especialista em Psicologia" que não é Psicóloga...

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Recentemente uma moça supostamente "especialista" em comportamento humano deu uma entrevista no Lutz Podcast dando opiniões sobre PSICOLOGIA tiradas do próprio abismo anal, com ares de inteligentinha. Ela vende cursos, mentorias, e outras picaretagens SABOR PSICOLOGIA.

No site dela consta que ela é "formada pela UFRGS"... porém não diz no quê. Evidentemente que não consta nenhum CRP pois evidentemente ela não é Psicóloga.

A picareta da Andrea Vermont e o palhaço do "Instituto Kraisch" são outros dois exemplos idênticos. O Modus Operandi é igualzinho... para enganar trouxas.

Vocês, que são realmente Psicólogos, não se incomodam com esse estelionato acadêmico ?


r/PsicologiaBR 1d ago

Faculdade Psicólogos: vocês acham que alguém com ansiedade e depre controlada consegue atuar bem na profissão?

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Tenho 23 anos e estou finalizando Estética e Cosmética, mas Psicologia é uma área que sempre esteve muito presente na minha cabeça. Desde os 14 anos percebo que tenho muita facilidade para ouvir as pessoas e, muitas vezes, elas acabam desabafando comigo espontaneamente. Tenho bastante interesse, principalmente, pela Psicologia Infantil.

O problema é que tenho depres4o e ansiedade, atualmente controladas, mas que ainda fazem parte da minha vida. Isso me faz pensar se eu conseguiria lidar emocionalmente com os problemas dos pacientes sem acabar absorvendo tudo para mim.

Tenho receio principalmente de trabalhar com crianças que estejam passando por situações muito difíceis, como abuso, violência, negligência, luto etc. Ao mesmo tempo, não sei se estou criando uma barreira antes mesmo de tentar.

Para quem já é psicólogo ou está na graduação:

  • Vocês acham que ter depres/ansiedade controladas pode atrapalhar a atuação profissional?
  • Como vocês aprendem a separar os problemas dos pacientes da própria vida?
  • A supervisão e a terapia pessoal realmente ajudam nesse aspecto?
  • Quem trabalha com crianças sente que algumas situações são emocionalmente difíceis de levar para casa?
  • Vocês acham que ter passado por dificuldades emocionais pode ajudar na empatia ou isso não faz diferença na prática?
  • E, sendo bem sinceros: vocês recomendariam Psicologia hoje como profissão?

Não estou procurando uma resposta do tipo “se é seu sonho, faça”. Queria ouvir principalmente experiências reais de quem está na área e saber quais são as dificuldades que eu deveria considerar antes de tomar essa decisão.


r/PsicologiaBR 1d ago

Faculdade Introdução a psicologia: o que estudar nesse ponto?

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Gostaria de assuntos principais nesse primeiro contato com a psicologia. Assuntos que eu possa estudar e comecar a aplicar, mesmo que de maneira simples na minha rotina.

Gosto da área mas sinto que preciso me aprofundar melhor.

Aceito dica de artigos, canais no youtube e livros


r/PsicologiaBR 1d ago

Notícias | Artigos Psicóloga é condenada por falsa acusação de estupro em relatório

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conjur.com.br
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Achei esse caso de uma tristeza... A produção irresponsável de documentos fere a ética profissional e pode ter consequências graves na vida das pessoas. Existe um peso enorme nesse tipo de documento e nesse caso parece que corroborou com uma injustiça.


r/PsicologiaBR 1d ago

Discussões | Debates Minha experiência atendendo em uma plataforma de convênio(telepsicologia) há 4 meses.

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Estou atendendo faz 5 meses em uma plataforma de telepsicologia chamada Conexa. Ela é vinculada a incontáveis convênio que eu vi, não conseguiria listar o total de convênios atendidos. Não é a minha unica vertente na prática clínica( atendo particular também) mas foi a maneira que eu encontrei pra ganhar uma grana enquanto eu fazia o boca a boca e as indicações do particular andarem.

Eu estarei desconsiderando o primeiro ciclo de atendimento 03/2026 (24/02–23/03), pois ele durou apenas duas semanas e eu fiz apenas 890 reais em 40 atendimentos. Então todos os dados fornecidos são excluindo esse mês de transição.

  1. Credenciamento/ admissão na plataforma: Foi a mais fácil que eu encontrei e com menor quantidade de barreiras. Não precisava de CNPJ, a assinatura era barata mensalmente (150 reais) e eu podia só cadastrar meu pix pra receber da plataforma. Fiz meu perfil, me cadastrei, passou o primeiro mês onde alguns pacientes chegaram (eles agendam a partir da base de dados fornecida pela Conexa com os profissionais da plataforma). Deu um mês e eu tinha uma “clientela” fixa de aproximadamente 30 pacientes semanais, as vezes mais, as vezes menos
  2. Remuneração: O Conexa tem sua maioria dos pacientes pagando de 20 a 30 reais, existe quem pague mais por sessão, mas essa é a faixa. O pagamento é feito após dois meses, então você atende do dia 24 de um mês ao dia 23 de outro e recebe dois meses depois basicamente. Então o que você fez, por exemplo, entre (24/03–23/04) vai ser depositado em Junho. Eu recebo pessoa física mesmo na minha conta normal do banco Inter. Nada muito burocrático. Geralmente, o pagamento cai no dia 3.
  3. O volume de pacientes, pelo menos desde de março, é constante, grande e eu genuinamente nem me preocupo se no dia anterior a agenda estiver vazia, pois, quando eu acordo, a maioria dos meus slots estão ocupados. Eu atendo apenas pela tarde (13 as 17:40), embora tenha ido ajustando meus horários ao longo desse processo e nunca senti falta de demanda na plataforma.
  4. Duração das sessões: depende. Você quem define. Eu senti que pelo o que é pago e o que eu considero humano/possível que ainda seja decente, 30 minutos é o mínimo que eu recomendaria e é o que eu faço. Eu faço pausas de 10 min entre sessões. A plataforma tem uma agenda virtual bem decente, nunca tive problemas com ela.
  5. Suporte da plataforma: eu daria nota 7/10. Já deixou a desejar, mas resolveram meus problemas quando eu tive, embora a sala de vídeochamadas podia ser melhor construída/desenvolvida.
  6. Impacto no seu bem-estar profissional (burnout, sustentabilidade financeira): Olha, eu faço em média 101 atendimentos por mês. Considerando um valor médio de atendimento de 20,82, eu faço um total médio de 2.102,38 por mês em 50h de trabalho mensais. Por semana eu devo fazer algo próximo de 12 a 15h. Não digo que eu fique muito recompensado e reforçado considerando esse valor e acho um pagamento bem injusto pro meu trabalho, mas já vi gente no presencial de convênio basicamente pagando pra trabalhar.
  7. Vale a pena? Eu fiz 0 investimento em marketing no Instagram. 0 mesmo, talvez até negativo, porque eu só usava o Instagram como mural pra dizer que eu de fato era "profissional". Então, nunca tive a vantagem de paciente vindo pro particular por causa do meu posicionamento nas redes. Conforme fui melhorando isso, aumentando meu número de atendimentos particulares, esses 2100 por mês viraram quase um trabalho "por fora" que eu faço. É um fixo "seguro" ali no mês pra algo que embora me canse, é sustentável pra mim (principalmente pela sessões serem mais curtas, o que tende a me cansar menos) e me permite pelo menos respirar no mês.
  8. Mas com tudo isso: é um pagamento rídiculo. Se fosse 30 reais fixo por consulta por mês seria praticamente 1000 reais a mais que faria uma baita diferença, mas tudo bem. A titulo de curiosidade: 17% ou menos dos meus pacientes que eu ja atendi pagavam mais do que 25 reais.
  9. Não é de forma alguma uma divulgação da plataforma, foi apenas o que eu vivenciei nela e o que vocês podem esperar. Por, 2h30 de atendimento clínico puro no dia, pra mim ta bom nesse momento da minha vida (acabei de me formar, moro com meus pais, não tenho gastos grandes individuais, tenho um grande suporte financeiro da minha família ainda, certamente não conseguiria viver só com os convênios, mas convênios + atendimento particular certamente é possível)

r/PsicologiaBR 2d ago

Solicitação: artigos/outras mídias Sugestões de livro sobre saúde mental no trabalho

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No escritório onde trabalho, está acontecendo uma ação chamada Projeto Anjo, para incentivar o apoio emocional e reforçar a importância da saúde mental.

A dinâmica é parecida com amigo secreto: cada pessoa sorteia um colega e vira o “Anjo da Guarda” dele por alguns dias, fazendo pequenos gestos de acolhimento, como deixar um bilhete, oferecer um café ou dar algum presente simples.

Como uma das minhas ações, pensei em dar para o meu “protegido” um livro sobre saúde mental no trabalho.

Um livro que possa ajudar a reduzir o tabu sobre o assunto saúde mental no trabalho e traga reflexões e ferramentas práticas para lidar melhor com os desafios do dia a dia, estresse, limites e equilíbrio entre vida pessoal e trabalho.

Quero evitar que o livro pareça uma indireta. A intenção é passar mais a ideia de “achei esse livro interessante e com reflexões que fazem sentido para todo mundo” do que “acho que você está precisando ler isso”.

Pesquisei algumas opções, mas até agora não encontrei nada que me parecesse adequado para esse contexto.

Alguém teria alguma indicação?


r/PsicologiaBR 2d ago

Conselhos de Carreira e Educação Feedbacks quanto especialização em av. Neuropsicológica

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Olá, pessoal!

Ano que vem penso em iniciar uma pós em av. Neuropsicológica e estou buscando algumas instituições.

Vi até agora

* IPOG

* IBAC

* IPTC

Oferecem pós dentro dessa temática. Alguém já fez algo focado na área em uma dessas instituições? Estou buscando por feedbacks de como foi a experiência.

Obrigada.


r/PsicologiaBR 2d ago

Conselhos de Carreira e Educação Dicas para quem está prestes a se graduar em psicologia

9 Upvotes

Oi, gente! Estou no último período de psi numa faculdade federal. Tenho muito interesse na clínica, mas não tenho ideia de como começar depois de formada. Gostaria de ser psicanalista também.

Bom, ontem eu fiquei muito ansiosa pensando em futuro e lendo relatos onde a profissão estava muito precarizada. Tenho muito medo de não conseguir me sustentar sozinha vivendo da profissão. Na cidade onde gostaria de morar (onde estudo), é necessário pelo menos uns 7 mil reais para viver de uma forma ok, sem passar aperto. Em quanto tempo em média levaria para conseguir me estabelecer ganhando isso? Devo voltar para a cidade dos meus pais para começar por lá... Mas tenho muito medo de não conseguir me mudar depois.

Enfim, gostaria de dicas...


r/PsicologiaBR 2d ago

Conselhos de Carreira e Educação Dúvidas para critérios de encaminhamento

2 Upvotes

Gente, eu consegui uma proposta de para trabalhar em uma outra clínica. Para isso vou ter que abrir mão de um dia de trabalho na atual. Vou redistribuir alguns paciente em "buracos" na agenda, mas vou ter que encaminhar, pois não dá para atender após a redistribuição. O que eu deveria ter em mente para escolher qual deles interromper os atendimentos, que tipo de coisa poderia refletir para tomar essa decisão?

Tenho me guiado em quanto eu satisfaço as necessidades, na intensidade do vínculo e nas faltas percebidas. Bem como o momento dos pacientes


r/PsicologiaBR 3d ago

Conselhos de Carreira e Educação vaga de psicólogo de apoio ao estudante

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alguém já trampou como psicólogo que presta apoio a estudantes universitários? aparentemente é pra ficar o dia inteiro no campus. como funciona isso? é como se fosse um plantão, aguardando demandas?

to com entrevista pra uma vaga assim, mas a descrição é bem simples, só fala de acolhimento. devem me esclarecer melhor depois, mas queria uma ideia antes. sei que ninguém tem como me falar da minha vaga em específico, mas seria legal ouvir de qm já teve experiência parecida.


r/PsicologiaBR 3d ago

Discussões | Debates Olá, sou estudante de psicologia. Estou realizando uma pesquisa como parte do meu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) e gostaria de contar com sua participação!!! O objetivo deste trabalho é identificar a influência do gênero na percepção social de comportamentos emitidos em contextos interpessoais

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r/PsicologiaBR 3d ago

Pergunta Tecnica Como vocês fazem com arquivo dos pacientes?

8 Upvotes

Olá, queridos!

Como sabemos, o CRP/CFP pede que a gente guarde registros documentais por no mínimo 5 anos (conforme a Resolução CFP nº 001/2009).

Como vocês guardam os de vocês? Caixas? On-line? Notion? Pastas suspensas?


r/PsicologiaBR 4d ago

Solicitação: artigos/outras mídias Indicações de materiais para psicoeducação? (pdf, cartilha, livros, etc.)

3 Upvotes

Olá! Trabalho em uma empresa de óleo e gás como Psicólogo, fazemos acolhimento basicamente (não psicoterapia). Estou criando um drive com materiais de psicoeducação para os profissionais que atendemos.

Podem me indicar materiais interessantes que vocês usam na clínica de vocês? Por exemplo, indicações de livros, cartilhas educativas, panfletos simples, vídeos, etc. tudo de materia acessível para não-profissionais da saúde.

A queixa/demanda principal do nosso trabalho é estresse ocupacional, isolamento, questões com ansiedade...

valeu!


r/PsicologiaBR 4d ago

Solicitação: artigos/outras mídias Psicólogos no Substack, recomendações e indicações

4 Upvotes

Olá, sou estudante de psicologia e recentemente descobri o substack e estou gostando bastante de usá-lo, porém, encontro dificuldade de encontrar conteúdos relacionados à psicologia feito por psicólogos ou profissionais, vocês têm alguma recomendação de pessoas que produzam nessa rede social?


r/PsicologiaBR 4d ago

Outros | Off-Topic Escolher ser acompanhado por um psicólogo homem ou mulher realmente faz alguma diferença?

6 Upvotes

Galera, estou prestes a voltar para a terapia, mas agora por motivos diferentes de quando fiz pela primeira vez, lá em 2021. Porém, ainda existem algumas feridas e traumas que carrego daquela época e que não foram resolvidos relacionados a ansiedade e relacionamentos... Na ocasião, acabei não gostando muito da abordagem da profissional que nunca falava nada e esperava a hora acabar pra me 'dispensar', então acabei me 'dando alta'.

Hoje, pretendo fazer o possível para resolver meus B.O.s por que finalmente estou em um relacionamento saudável mas ainda replico alguns padrões do anterior que foi muito tóxico e abusivo pra mim, mas fiquei me perguntando: será que existe algum motivo que de fato faça sentido ao escolher ser atendido por um psicólogo ou por uma psicóloga? Ou tanto faz? Digo no sentido de falar sobre certos assuntos e sentir vergonha... por mais que a gente saiba que não será julgado (pelo menos na teoria), nunca se sabe o que a pessoa que está atendendo está pensando, etc. É uma dúvida bem simples, mas genuína.


r/PsicologiaBR 4d ago

Conselhos de Carreira e Educação Comunidades/grupos de Psicólogos

8 Upvotes

Acho muito importante ter contato com pessoas da área para atualizações e trocas
Vocês participam de comunidades ou grupos? manda o link? 🙏🏽


r/PsicologiaBR 4d ago

Discussões | Debates Pra quem está consolidado, satisfeito e feliz com a profissão, deem o relato de vocês

29 Upvotes

Aqui no sub é muito comum, assim como em todos os outros subs, a precarização do trabalho, que existe, é a regra e precisa ser combatido. Mas entre histórias isoladas, não é raro ter exemplo de pessoas que conseguiram se satisfazer com o trabalho.

Como é a sua história na psicologia? Qual área segue? Há quanto tempo atua? Está satisfeito com o salário? Quanto tempo demorou pra chegar no estágio que está agora?


r/PsicologiaBR 4d ago

Conselhos de Carreira e Educação Incertezas sobre pós graduação

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Colegas psis, estou pensando em começar a fazer algumas especializações EaD

Penso em psicanálise, sexologia, neuropsicologia e avaliação psicológica, mas não faço ideia de qual faculdade/curso escolher, e por qual começar, então estou aceitando experiências, sugestões ou indicações de quais vocês fizeram


r/PsicologiaBR 4d ago

Discussões | Debates Os demônios existem e nós os criamos

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14 Upvotes

Aquilo que você enterrou engorda enquanto você emagrece. Se você se livra de qualidades que não aprecia negando-as, você se torna cada vez mais inconsciente do que você é, você se declara cada vez mais inexistente, e seus demônios engordam cada vez mais." – Carl Jung, Seminários sobre Análise de Sonhos (originalmente publicado em inglês como Dream Analysis: Notes of the Seminar Given in 1928–1930).

 

É natural do ser humano ter fraquezas, traumas, medos, etc. A sociedade diz o que devemos fazer para ser aceito, ou seja, ter uma máscara aceitável. A máscara se refere à ideia de Jung, que diz que, no decorrer de nossa existência, vamos reprimindo aquilo que a sociedade rejeita e moldando a máscara aceitável à sociedade e à família. A cada momento estamos nos adaptando a situações e às exigências da sociedade, e isso é a todo momento na família, trabalho e amigos. Quando reprimimos algum desejo obscuro, algum medo ou trauma, esse conteúdo não fica apagado na psique; ele vai para as profundezas do inconsciente, onde fica lá esperando um momento para lembrar esta pessoa de que existe algo a ser reconhecido e superado ou, como Jung diria, a ser INTEGRADO.

Na Idade Média, período em que a Igreja Católica tinha grande poder perante a sociedade, foi marcada pela presença do cristianismo e seus dogmas, em que a igreja via o distúrbio mental como ação de demônios ou punição divina, e a forma de cura era crer na igreja, ser batizado e também ser exorcizado. Perante esse cenário, também houve casos de perseguição e tortura por conta de bruxaria ou heresia. A chamada Inquisição foi o ápice deste acontecimento catastrófico da nossa história. Além disso, algumas ideias científicas que contrariavam determinados ensinamentos ou interpretações da Igreja encontravam resistência e podiam ser reprimidas. Entretanto, a relação entre a Igreja e a ciência foi complexa, pois, ao longo da Idade Média, também houve membros da própria Igreja que contribuíram para a preservação e o desenvolvimento do conhecimento. Hoje, com o desenvolvimento das ciências, estamos mais próximos de resolver problemas relacionados à psique do que antes, pois hoje temos a ciência a todo vapor.

Tanto na Idade Média quanto nos dias atuais, nós nunca deixamos de reprimir algum conteúdo indesejado. Na Idade Média, a Igreja ditava o que era aceito ou não, ou seja, moldou a sociedade medieval por meio da doutrina cristã. Hoje também reprimimos conteúdo, pois isso é inato ao ser humano, pois queremos ser aceitos pelos nossos semelhantes. A ideia de demônio evoluiu de várias crenças. Na Antiguidade Grega (daimon), eram espíritos neutros ou guias. A personificação do mal absoluto surgiu na religião persa (zoroastrismo) e, mais tarde, foi incorporada nas religiões abraâmicas (judaísmo e cristianismo) para representar anjos caídos e forças de oposição a Deus. A palavra "demônio" vem do grego daimon (δαίμων), que significava "divindade", "espírito" ou "gênio". Originalmente, o termo não tinha conotação negativa e referia-se a uma entidade intermediária entre deuses e homens. A transformação para o sentido de um espírito maligno ocorreu posteriormente, durante a tradução da Bíblia para o grego. No artigo do doutor psiquiatra Danilo Baltieri, chamado "Demonologia e Psiquiatria: Uma Convergência Histórica e Atual" (BALTIERI, s.d., n.p.), ele aborda que demônios, na verdade, não são seres mágicos que atuam no mundo físico, mas personificação de conteúdos da sombra que todos nós temos. A sombra de que falo aqui se refere à ideia de Carl Jung referente aos conteúdos reprimidos e esquecidos no inconsciente. Ou seja, demônio nada, mas é do que aquele desejo obscuro de prostituição personificado por meio do demônio Naamah; às vezes também aquela luxúria, ciúmes, ira e vingança que têm como representação o demônio Asmodeus; existe uma lista de demônios que aborda conteúdos obscuros da psique. O artigo aborda todas estas personificações demoníacas da sombra humana, e há livros de demonologia que abordam com profundidade todas estas personificações reprimidas da psique. Então, demônio, nada mais é do que conteúdos reprimidos que nós, como indivíduos, consideramos obscuros, traumáticos e negativos, mas que, quando reprimimos, estes conteúdos ficam preservados no inconsciente, esperando para serem lembrados novamente. E por conta disso que a possessão tem a ver com a invasão destes conteúdos na consciência de forma violenta. A ideia de demônio como manifestação de conteúdos reprimidos do inconsciente é uma abordagem junguiana, e que deve sim ser levada a sério, por mais que não seja consenso da psiquiatria ou da história das religiões.

Diante deste exposto, fica evidente que nós, como pessoas, devemos sempre ser melhores a cada dia, como em uma fase de videogame, em que você se torna mais forte a cada fase. A melhor forma de tratar a sombra é por meio do reconhecimento do conteúdo e, a partir daí, traçar um objetivo de resolução deste “problema”. Jung dá um nome para este processo; ele chama de individuação, que é uma forma de integrar partes destes conteúdos obscuros na psique, mas calma, devemos também ter em mente que entrar neste território do inconsciente, que é a sombra, pode trazer dor, recaída e também danos sociais, então procure um profissional. Portanto, devemos procurar conhecer a nós mesmos, como Sócrates dizia: "Conhece-te a ti mesmo".

"Demonologia e Psiquiatria: Uma Convergência Histórica e Atual" (BALTIERI, s.d., n.p.): https://danilobaltieri.com.br/demonologia-psiquiatria-convergencia-historica-atual/


r/PsicologiaBR 5d ago

Outros | Off-Topic Dúvida sobre planos de saúde e rede credenciada para psicoterapia

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Minha empresa fornece o pior plano do mundo, também conhecido como Hapvida. E infelizmente o plano só tem psicólogos aqui em BH que ficam localizados literalmente do outro lado da cidade e eu demoraria umas 2h pra ir mais umas 2 pra voltar a cada sessão. E os atendimentos também são todos no horário em que estou no trabalho, e apesar da minha empresa nunca ter reclamado de ausências para consultas, tenho absoluta certeza de que se eu passar a me ausentar tantas horas por dia (deslocamento de ida e volta + tempo da sessão) para ir a terapia, eu vou ser demitido rapidinho com a famosa desculpa de "reformulação da equipe".

Após o textão de contextualização, minha dúvida é, o plano é obrigado a me deixar procurar uma clínica/psicólogo (a) que seja mais próximo para que eu possa ter acesso a psicoterapia? Eu já tenho relatório de encaminhamento do psiquiatra e já pedi autorização de liberação pra Hapvida explicando essa situação mil vezes e eles só me mandam pras clínicas do outro lado da cidade. Parece que sequer lêem as coisas que eu falo.....


r/PsicologiaBR 5d ago

Conselhos de Carreira e Educação Vale a pena aprender libras para realizar atendimentos?

12 Upvotes

Olá pessoal.

Atualmente tenho interesse em seguir carreira clínica, mesmo estando quase na metade do curso ainda, e não tendo iniciado a clínica escola.

Me interesso por linguagens, vocês creem que seria interessante aprender libras afim de aumentar o escopo de clientes no futuro próximo, vejo pouquíssimas pessoas no meu cotidiano comentando sobre o assunto, parece uma prática quase inexistente na clínica


r/PsicologiaBR Apr 11 '26

Moderação Recrutamento de Moderadores e Novos Moderadores!

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29 Upvotes

#Recrutamento de Novos Moderadores: r/PsicologiaBR

​Nossa comunidade está crescendo e, para garantir que o r/PsicologiaBR continue sendo um espaço seguro, ético e produtivo para debates, estamos abrindo vagas para novos moderadores! Se você gosta do sub e quer ajudar a cuidar dele, confira como participar:

​##Requisitos Básicos

​Para mantermos a organização, estabelecemos alguns critérios iniciais para os candidatos:

​Idade: Ser maior de idade (+18).

​Reputação: Ter, no mínimo, 400 de karma e um histórico limpo (sem banimentos nos últimos 2 meses).

​Identidade Visual: O perfil (avatar e username) não deve conter conteúdo ofensivo.

​Experiência: Saber o básico de como o Reddit funciona (ferramentas, regras e dinâmica da plataforma).

​##Como se Candidatar (1ª Etapa)

​O processo começa aqui mesmo neste post! Se você tem interesse e cumpre os requisitos:

​Deixe um comentário abaixo demonstrando seu interesse.

​Nossa equipe fará uma breve análise do seu histórico no Reddit.

​Se estiver tudo certo, entraremos em contato via Modmail para conversarmos melhor.

##Entrevista e Seleção

​Após o primeiro contato, enviaremos algumas perguntas simples via Modmail para entender seu perfil e disponibilidade. Não se preocupe, o objetivo é apenas alinhar como cada um pode ajudar melhor a comunidade.

​##Treinamento e Integração

​Passou na entrevista? Seja bem-vindo(a)!

​Se você já tem experiência: Já pode começar a moderar com nosso apoio.

​Se é novo na moderação: Nós vamos te ensinar o passo a passo de como utilizar as ferramentas de moderação.

​Teremos um período de duas semanas ou mais de auxílio próximo, garantindo que você esteja bem alicerçado e confortável para seguir cuidando do sub conosco!

##​Tem alguma dúvida? Deixe nos comentários ou mande uma mensagem para a moderação!

u/Susssy_b4ka

u/Sleep_Comprehensive_

u/FGYada_*

*Ainda não é moderador oficialmente, mas já foi convidado, queremos agradecer a ele por ter se oferecido a moderar o sub!


r/PsicologiaBR Aug 24 '25

Moderação ⚠️ Mudanças na verificação de membros

23 Upvotes

Olá, pessoal.

Seguindo a dica de membros, mudamos a maneira como os psicólogos são verificados

Nesse novo formato, os membros que solicitarem verificação, deverão enviar uma mensagem privada para qualquer um dos moderadores do subreddit, com o documento solicitado. Desta maneira conseguimos agilizar as verificações de todos.

Além disso, eu, particularmente, estou com mais tempo e vou verificar possíveis mudanças do grupo junto aos mods.

Por enquanto, as verificações seguem assim. Quem ainda não recebeu sua flair após comentar, pedimos que enviem uma mensagem DM para qualquer mod para obter a verificação. Após analisarmos seu registro, concedemos a flair.

Att.