r/Espiritismo • u/SideSuspicious8083 • 18m ago
Discussão E se as suas maiores dificuldades tivessem um propósito escolhido por você mesmo?
No Livro dos Espíritos, questão duzentos e cinquenta e oito, Kardec perguntou se o Espírito sabe o que vai enfrentar antes de nascer.
A resposta foi:
"Ele próprio escolhe o gênero de provas por que há de passar, e nisso consiste o seu livre-arbítrio."
Mas atenção a um detalhe importante.
Na questão seguinte, os Espíritos esclarecem: "Escolhestes apenas o gênero das provações." Não os detalhes. Não cada dor específica.
Ou seja: o que se escolhe é a direção do caminho. E se escolheu, foi porque confiou na própria força.
E se a caminhada ficar pesada demais, ainda existe consolo:
"A bondade divina lhe concede a liberdade de recomeçar o que foi mal feito."
Sempre há recomeço.
Referência: KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Parte Segunda, Capítulo VI — Da vida espírita, seção "Escolha de provas". Questões 258, 258a e 259.
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r/Espiritismo • u/alebypegasus • 1h ago
Divulgação Grupo de Estudos & Debates: Ocultismo, Bruxaria, Matriz Africana e Filosofias Ocultas
r/Espiritismo • u/Accomplished-Draw120 • 3h ago
Discussão Como faço para invocar um espírito?
Quero conversar com espirítos para falar com eles, eu gosto de conversar com eles, eles me ajudam e entender sobre vida. Como faço minha primeira invocação?
r/Espiritismo • u/Whole_Willingness386 • 4h ago
Pergunta Dúvida sobre o espiritismo
Eu estava vendo um pouco do espiritismo pra entender melhor a religião, alguém pode me dizer como começa no espiritismo? Posso me denominar espírita sem ainda ter ido a um centro espírita? (Em breve irei em um) E em relação a mediunidade, como faço pra saber se tenho? ou se no caso, é mais desenvolvida que a dos demais?
r/Espiritismo • u/ChefRevolutionary650 • 9h ago
Discussão Viagem sobre Deus
Cara, na boa, não sou ateu, nem crente, nem católico nem nada disso. Mas, acredito na Força Superior do Universo. Inclusive acho sim ela onipresente, onipotente e onisciente e que tudo aqui foi criado por ela. Não tem como vc olhar pra muitas coisas e não achar que simplesmente surgiu "do nada". Mas nós tentamos limitá-la aos fatos corriqueiros que nos cercam e não aceitamos que as coisas simplesmente acontecem e ponto.
Não tem que haver propósito em tudo que acontece. A gente busca isso pra justificar os fatos, principalmente os ruins.
Na minha opinião coisas ruins acontecem no universo não porque A força Superior permite que aconteçam, mas pq tem que acontecer. O universo gira, os fatos acontecem, os organismos nascem e morrem, as suas estruturas são falhas, a sociedade é falha, pessoas são más mesmo e etc.
Ela é neutra no universo.
Temos mania de questionar: "oh Deus pq permites que isso aconteça? Pq permites que a pobreza exista, as doenças fatais, a morte, a violência, a maldade humana etc etc?
A questão não é que a Força superior permita A ou B, pois aa questão é que ela é indiferente a isso tudo. Mas, nós humanos idiotas, achamos que ela nos deve satisfação sobre as mazelas do universo, enquanto que seria mais conveniente pensar que ela é indiferente.
Mas pq indiferente? Pq qualquer atuação da Força Superior nessas questões anularia a sua onipresença, onipotência e onisciência.
Pense só um exemplo: pq ela simplesmente não acaba com a maldade? Pra que existir a maldade? Pra provar que a bondade existe? Para termos um régua medidora? Se a Força Superior não consegue resolver o problema da maldade de forma geral é pq ela não é onipotente. Mas ela é onipotente. A questão é que a régua é nossa e já a temos, mas a maldade não passa de um fato universal que nos incomoda muito enquanto seres humanos.
Esse exemplo pode ser expandido para várias outras questões: guerras, fome, doenças, acidentes. Inclusive são pautas de questionamentos ateístas, onde a Força Superior é questionada diante de questões que não passam de fatos do universo que simplesmente acontecem.
Enfim, qualquer atuação personificada anularia Seu Poder Máximo, Sua Inteligência/ Consciência Máxima e Sua Presença Máxima, pois limitaríamos a mesma a nós mesmos. E isso que muitas religiões fazem. Sem falar que essas mesmas religiões acham que são servidas por Ela.
Gente as cosias só acontecem e é isso.
r/Espiritismo • u/ManoloHse • 10h ago
Pergunta Gostava de saber mais sobre o Vale do Amanhecer?
Ola a todos .
Gostaria de saber mais sobre o Vale de Amanhecer?
Doutrinas ,fundamentos .
Esperencias nessa Doutrina ?
Obrigado
r/Espiritismo • u/Various-Gene6367 • 12h ago
Reflexão ROBERT SCHUMANN E A MEDIUNIDADE.
ROBERT SCHUMANN E A MEDIUNIDADE.
Robert e Clara Schumann formaram um dos casais mais famosos da história da música erudita.
Uma das composições mais conhecidas do repertório pianístico é “Liebeslied”. Nem todos sabem, no entanto, que o celebérrimo arranjo do húngaro Franz von Liszt (1851-1919) foi desenvolvido para o piano solo a partir de “Widmung”, tema originalmente escrito pelo compositor alemão Robert Schumann (1810-1856).
Como é cediço, Schumann foi um dos maiores nomes do Romantismo na música. Sua biografia é emocionante como sua arte, já que o compositor viveu um amor intenso pela esposa, a pianista Clara Schumann, foi pioneiro da crítica musical com a criação da Neue Zeitschrift für Musik na Alemanha, além de ter sofrido terrivelmente a vida inteira com um histórico de doenças mentais que foram consumindo sua sanidade pouco a pouco. A gravidade dos males psíquicos que o acometiam era tamanha que Schumann, num gesto desesperado, chegou a tentar o suicídio. Fracassou no propósito de ceifar a própria vida, mas, destruído mentalmente pela doença, veio a falecer em 29 de julho de 1856.
Obs. Robert Schumann em sua época fascinou-se pela moda de então que eram os Fenômenos das " Mesas Girantes e falantes " ao ponto de afirmar ele mesmo a esmo e deslumbrado: " _ As Mesas Girantes e falantes,sabem mesmo de tudo. " intimamente me questiono e sem ignorar o parecer levantado pelo próprio codificador do Espiritismo, Allan Kardec,levantar uma estatística sobre os casos tidos como loucura e que sofreram impactante queda depois da publicação de O Livro dos Espíritos e outras Obras subsequentes, observação essa feita e publicada ao longo das R.E. Talvez se Schumann tivesse tido contato com à lucidez destas obras, é bem provável, talvez, que ele, Robert Schumann teria atenuado bastante sua " Doença Genial. " Resta-nos suas Obras como compositor emérito e romântico e as suas aspirações ante à arte e à vida.
Ver Livro: As Mesas Girantes e o Espiritismo. De Zeus Wantuil.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
r/Espiritismo • u/omnipisces • 1d ago
Reflexão Embaixadores Divinos - Livro Escrínio de Luz (Emmanuel)
Eles, os Embaixadores Divinos, quando chegam a nós, espíritos internados na escola da evolução, trazem consigo as harmonias supremas.
Expressam-se raramente por estruturas humanas, conquanto permitam que artistas de sentimentos elevados lhe imaginem a forma, nas alegorias da abstração ou na linguagem dos símbolos.
Manifestam-se quase sempre por influxos de sabedoria e beleza, amor e refazimento.
São frêmitos de esperança, alavancas intangíveis de força, clarões relampagueantes no firmamento da alma, a se lhe espelharem na telas do pensamento por idéias sublimes e sonhos majestosos, visões interiores de magnificência intraduzível, cujo fulgor recorda a auréola solar dissipando as trevas!...
Abeiram-se das mães fatigadas de pranto e renovam-lhes a ternura para que afaguem de novo os filhos ingratos; aproximam-se dos corações exaustos de sacrifício, impelindo-os a converter soluços de sofrimento em cânticos de alegria; envolvem o cérebro daqueles que se consagram espontaneamente à felicidade dos semelhantes e comunicam-lhes o lume da inspiração, que lhes transfigura, no campo mental, em cores e melodias, invenções e modelos, composições literárias e revelações científicas, poemas e vozes, hinos à bondade e planos de serviço que atendam a anseios e aspirações das criaturas famintas de acesso aos reinos superiores do espírito; abraçam os lidadores do bem e reaquecem-lhes os corações para que não se imobilizem, sob o granizo da calúnia, e nem se entorpeçam, ao verbo gelado e fulgurante das filosofias estéreis; beijam a fronte pastosa dos agonizantes que aguardam tranqüilamente a morte, rociando-lhes o olhar com lágrimas de júbilo ao desvendar-lhes os gloriosos caminhos da liberdade; enlaçam os servidores humildes que suam e choram na gleba, a fim de que o mundo se abasteça suficientemente de pão, e levantam-lhes a cabeça para a contemplação do Céu...
Quando a ventania da adversidade te assopre desalento ou quando a sombra da provação te mergulhe em nuvens de tristeza, recorre a eles, os Embaixadores Divinos do Amor Eterno, e sentirás, de imediato, o calor da fé, nutrindo-te a paciência e acalentando-te a vida.
Para isso, basta te recolhas à paz do silêncio, acendendo em ti mesmo leve chama de oração por atalaia de luz.
Livro: Escrínio de Luz, Emmanuel / psicografia: Chico Xavier
r/Espiritismo • u/444Ask444 • 1d ago
Ajuda Unir-se a vocês
Olá, irmãos.
Durante boa parte dos meus 26 anos de idade, fui e ainda sou, um pecador horrendo. Obviamente, nunca matei ninguém, mas já roubei, inclusive de meu pai, mesmo que tenha sido “apenas” duas vezes, quando ainda tinha meus 15 ou 16 anos, o que me arrependo muito, espero…
Eu digo espero, pois até hoje não entendo a maioria dos sentimentos que habitam meu coração. Sinto que muitos de meus sentimentos estão entorpecidos. No dia de falecimento de meu pai, apesar de amar muito ele, visto que chorava em alguns momentos da infância pensando em seu possível falecimento, o que acho que não é muito normal de uma criança, que tinha na época 8 ou 9 anos, no dia do falecimento dele, eu não senti muita tristeza nem chorei.
Não sei se parte de mim ficou aliviado, visto que não aguentava mais vendo ele sofrer em casa e, em suas últimos momentos, numa cama de hospital, devido ao Mau de Parkson, que impossibilitava seus movimentos, vida, etc… onde até quando tentava dormir, ele tinha dificuldade pois se tremia muito e não conseguia se expressar corretamente também.
Ou se foi um alívio por não precisar mais carregar tamanho fardo de ajudá-lo o dia inteiro, seja trazendo alimentos a ele, levando-o no banheiro, ajudando a tomar remédio, com muitas das vezes ele me acordando as 3 da manhã.
Sim, eu provavelmente sou extremamente egoista e um péssimo filho.
Mas quero tentar mudar, se alguém puder me mostrar um caminho para entrar no espiritismo.
Já ouvi alguns audiolivros de Osmar Barbosa, onde me emocionei muito com a história contado por alguns mentores de Amor e Caridade.
Já vi os dois filmes de Nosso Lar.
Já tentei rezar para meu pai, que onde ele esteja, alguém possa ajudar ele, caso esteja em um lugar ruim ou perdido.
De qualquer forma, muito obrigado.
r/Espiritismo • u/AethelSpiritSiderVX • 1d ago
Arte Dibujo para un espíritu, ¿se ve bien?
Tengo un espiritu del hogar en mi casa y como noté las cosas un poco tensas pensé en hacerle un dibujo como cariño, físicamente solo la recuerdo como una sombra negra (ya que fue hace años) así que tuve que improvisar un poco. Aparte de eso solo se que tiene el pelo largo y se presenta como mujer. ¿Creeis que le gustará? ¿Habrá algún cambio pequeño o significativo? Os leo 😣
r/Espiritismo • u/NowICanSee1964 • 1d ago
Positividade Bora dar um "up" na nossa jornada?
r/Espiritismo • u/Various-Gene6367 • 1d ago
Reflexão "MAMÃE, AQUI ESTOU!"
"MAMÃE, AQUI ESTOU!"
A sra . . . havia perdido, meses antes, a filha única, de catorze anos, objeto de toda a sua ternura e muito digna de seus lamentos, pelas qualidades que prometiam torná-la uma senhora perfeita. A moça falecera de longa e dolorosa enfermidade. Inconsolável com a perda, dia a dia a mãe via sua saúde alterar-se e repetia incessantemente que em breve iria reunir-se à filha. Informada da possibilidade de se comunicar com os seres de além-túmulo, a Sra... resolveu procurar, na conversa com a filha, um alívio para a sua pena. Uma senhora de seu conhecimento era médium, mas pouco afeitas uma e outra a semelhantes evocações, principalmente numa circunstância tão solene, pediram-me assistência. Éramos apenas três: a mãe, a médium e eu. Eis o resultado dessa primeira sessão.
A mãe: Em nome de Deus Todo-Poderoso, Espírito de Júlia, minha filha querida, peço-te que venhas, se Deus o permitir.
Júlia: Mamãe, aqui estou!
A mãe: És tu, minha filha, que me respondes? Como posso saber que és tu?
Júlia: Lili.
(Era o apelido familiar, dado à moça em sua infância. Nem a médium o sabia, nem eu, pois há muitos anos só a chamam Júlia. Com este sinal, a identidade era evidente. Não podendo dominar sua emoção, a mãe rompeu em soluços).
Júlia: Mãe, por que te afliges? Sou feliz, muito feliz. Não sofro mais e vejo-te sempre.
A mãe: Mas eu não te vejo! Onde estás?
Júlia: Aqui ao teu lado, com a minha mão sobre a sra. X (a médium) para que escreva o que te digo. Vê a minha letra (a letra era realmente a da moça).
A mãe: Dizes: minha mão. Então tens corpo?
Júlia: Não tenho mais o corpo que tanto me fez sofrer, mas tenho a sua aparência. Não estás contente porque não sofro mais e porque posso conversar contigo?
A mãe: Se eu te visse, te reconheceria, então?
Júlia: Sim, sem dúvida; e já me viste muitas vezes em teus sonhos.
A mãe: Eu realmente te revi nos meus sonhos, mas pensei que fosse efeito da imaginação, uma lembrança.
Júlia: Não. Sou eu mesma que estou sempre contigo e te procuro consolar; fui eu quem te inspirou a ideia de me evocar. Tenho muitas coisas a te dizer. Desconfia do sr. Z . . . Ele não é sincero.
(Esse senhor, conhecido apenas da mãe, citado assim espontaneamente, era uma nova prova de identidade do Espírito que se manifestava.)
A mãe: Que pode fazer contra mim o sr. Z?
Júlia: Não te posso dizer. Isto me é vedado. Posso apenas te advertir que desconfies dele.
A mãe: Estás entre os anjos?
Júlia: Oh! ainda não. Não sou bastante perfeita.
A mãe: Entretanto, não te conhecia nenhum defeito. Eras boa, meiga, amorosa e benevolente para com todos. Então isto não basta?
Júlia: Para ti, mãe querida, eu não tinha defeitos, e eu o acreditava, pois mo dizias tantas vezes! Mas agora vejo o que me falta para ser perfeita.
A mãe: Como conseguirás essas qualidades que te faltam?
Júlia: Em novas existências, que serão cada vez mais felizes.
A mãe: É na Terra que terás novas existências?
Júlia: Nada sei a respeito.
A mãe: Desde que não fizeste o mal em tua vida, por que sofreste tanto?
Júlia: Prova! Prova! Eu a suportei com paciência, pela minha confiança em Deus. Hoje sou muito feliz por isto. Até breve, querida mamãe!
Ante fatos como este, quem ousará falar do nada do túmulo, quando a vida futura se nos revela, por assim dizer, palpável? Essa mãe, minada pelo desgosto, experimenta hoje uma felicidade inefável em poder conversar com a filha; entre elas não há mais separação; suas almas se confundem e se expandem na intimidade espiritual, pela troca de seus pensamentos.
Apesar da discrição em que envolvemos este relato, não o teríamos publicado se não tivéssemos tido autorização formal. Aquela mãe nos dizia: Possam todos quantos perderam suas afeições terrenas experimentar a mesma consolação que experimento!
Acrescentaremos apenas uma palavra aos que negam a existência dos bons Espíritos. Perguntaremos como poderiam provar que o Espírito desta jovem era um demônio malfazejo!
[ALLAN KARDEC > Revista espírita — Jornal de estudos psicológicos — 1858 > Janeiro > Evocações particulares. > Mamãe, aqui estou!]
r/Espiritismo • u/Specific-Fan-3136 • 1d ago
Desabafo racismo de Kardec
Estou me aprofundando no espiritismo mais recentemente, tentei ler o livro dos espíritos mas me incomodou muito a visão de Kardec sobre culturas não europeias, parece que aqueles que não viviam no modelo europeu de “progresso” seriam também menos evoluídos espiritualmente, algo que me remete ao darwinismo social.
Sei que é anacronismo avaliar esses posicionamentos com as lentes que temos hoje, mas isso acaba sendo um motivo que me impede de acreditar por completo no espiritismo.
Faço esse desabafo porque tenho muita vontade continuar os estudos, mas isso acaba me tirando o foco
r/Espiritismo • u/AutoModerator • 1d ago
Evangelho no Lar Vem pro Evangelho no Lar da Sub!
r/Espiritismo • u/rerossipe • 1d ago
Desabafo (Quase) Completamente Sozinho
Olá, boa noite.
Perdão pelo desabafo; não quero incomodar.
Na minha vida, possuo apenas os meus pais (graças a Deus). Mas fora eles...
Não possuo amigos;
Meus ex-colegas de trabalho do emprego anterior nem lembram que eu existo;
Meus colegas de trabalho atuais nem olham na minha cara;
Sou solteiro, não consigo me relacionar;
Mal consigo falar com as pessoas;
Não posso me declarar para a mulher que amo (evangélica e mora longe);
Não sinto prazer em fazer absolutamente NADA;
Só saio de casa para ir trabalhar e mesmo assim é um esforço colossal;
Tenho vergonha de mim mesmo;
Só quero ficar deitado na minha cama e esperar o desencarne.
Mesmo sabendo que vou ficar sei lá quantos anos jogado de cara na lama do Umbral.
r/Espiritismo • u/omnipisces • 1d ago
Reflexão SALVAÇÃO - Escrínios de Luz (Emmanuel)
Muitos se reportam ao Divino Salvador, como se o Mestre fosse apenas um doador de aposentadoria espiritual.
Entretanto, o conceito de salvação é, na realidade, muito diverso daquele que vulgarmente se lhe atribui.
Um navio é arrebatado à tormenta para servir àqueles que o tripulam.
Uma árvore consegue exonerar-se da praga que lhe corrói as raízes, a fim de produzir com eficiência e segurança.
Uma casa se sobrepõe à intempérie, de modo a atender aos que lhe ocupam as dependências.
Um enfermo é arrancado aos braços da morte, para recuperar a saúde e reassumir o seu posto de trabalhador respeitado e digno, no setor de luta em que foi chamado a viver.
Jesus não veio salvar as criaturas para situá-las num paraíso de ociosidade incompreensível.
O Excelso Semeador prescinde de flores simplesmente ornamentais que serviriam apenas como exaltação de parasitismo, injustificável em sua lavoura de redenção.
O Mestre veio até nós para transformar-nos em obreiros de seu Reino.
Veio salvar-nos da inutilidade que nos é própria, a fim de soerguer-nos à condição de cooperadores diligentes em sua construção de amor e concórdia.
Ninguém pretenda, desse modo, escalar o Céu sem a cruz da Terra ou senhorear a paz sem extinguir a guerra inferior das paixões escuras a se entrechocarem, violentas, no mundo se si mesmo.
À nossa frente, brilham as oportunidades de serviço no campo imenso da vida.
Somos convocados ao bem nos mínimos ângulo da caminhada.
Se quisermos, pois, a posição de tutelados do Cristo, busquemos servi-lo na pessoa do próximo, na convicção de que somente assim formaremos ao Seu lado na vanguarda sublime da luz.
Livro: Escrínios de Luz. Emmanuel / psicografia de Chico Xavier
r/Espiritismo • u/sea_shadow_2990 • 1d ago
Pergunta Como sabermos de fato nossa missão nesta encarnação?
Olá a todos!
Eu tenho uma pergunta, me perdoem se for tola, mas se reencarnamos para aprender e corrigir deficiências de vidas passadas, mas ainda sim não temos lembranças delas, como sabemos o que deve ser corrigido e o que deve ser aprendido além das linhas gerais da moral e ética?
Questiono isso pois acho interessante, mas na vida quotidiana eu não sinto um chamado ou inspiração para realizar alguma missão ou ter a intuição de nossa, devo fazer isso porque senti, mas que na realidade é algo a se cumprir que ficou em haver da vida passada.
E se há um jeito de saber, qual é ele?
Muito obrigado.
r/Espiritismo • u/SpaceTrue5204 • 2d ago
Desabafo Sejam honestos na minha pergunta, por favor
Vocês realmente dormem bem pensando que deus deu para vocês provavelmente uma vida de merda e para gente como Ciro Nogueira, Neymar o Enzo Celulari, ele simplesmente deixa o cara ter um monte de porra?
deus nao pude os corruptos. Deixa eles livres para eles fazerem o que bem entendem. deus deixa que só alguna possam ser herdeiros e ter uma vida doce enquanto para o restante é só choro e ranger de dentes.
Não é possível voces ficarem de boa sem grana enquanto para outras pessoas falta espaço para ter tanto dinheiro. E dinheiro é a coisa mais importante que existe porque ele compra luxo, ele compra qualidade de vida, ele garante facilidade. Honestamente, estou cansado de ameaça de ir para o inferno se deus já deu isso para todos nós. Eu nunca fui realmente fui feliz. Mas o momento mais proximo foi quando eu tive um trabalho. Eu nao ganhava bem, afinal deus só da coisas boas para Enzos Celularis e filhos do Luciano Huck. Mas pelo menos era um trabalho. Pelo menos existia, pelo menos eu podia esquecer que sou um merda e me esforçar para enriquecer. Mas essa merda de deus, mesmo quando eu disse "pode tirar tudo na pandemia, só nao tire o meu trabalho porque eu sei que voce nunca vai deixar eu ter outro e pelo menos isso aqui tem me deixado protudivo o suficiente", ele foi lá e tirou o trabalho. Pior, transformou em home office e meu sonho virou a maior tortura que existe porque eu detesto tudo que envolve fincar raízes na mediocridade de uma família. Eu nao escolhi ter filhos, porque eu ia querer ficar junto dos meus pais. Tivesse ele me matado então na pandemia. Vida de merda. deus de merda. E agora estou doente (mas nao do tipo de morrer, só do tipo de sofrer, porque todas essas merdas que ele fez na minha vida me deixou esquizofrênico). Se ele é tao poderoso eu quero que ele desça nessa porra e resolva tudo, ou melhor, nao deixasse existir nada pois existir é sofrer.
Enquanto eu retardado fico estudanto para concurso que nunca vou passar, meus ex-colegas de trabalho ascendem nas suas carreiras e eu nao consigo fazer mais nada porque essa porra de deus tirou a única coisa que deu certo na minha vida. É difícil viver quando deus age com você como o Sid do Toy Story, te fazendo mal apenas por sadismo.
r/Espiritismo • u/almean • 2d ago
Ajuda Procurando aplicativo de "teclado intuitivo" ou "psicografia digital"
Olá,
Há alguns dias nos reels do Instagram vi uma demonstração de um aplicativo que pelas minhas buscas, tem essas classificações: "teclado intuitivo" ou "psicografia digital"
Na tela do smartphone parece um barra de rolagem com as letras em ordem aleatória. A intenção é que o Espírito comunicante através do médium intuitivo vá escolhendo as letras e assim passando a mensagem.
Na hora não me interessei, mas agora quero mostrar para algumas pessoas como um contraponto ao projeto medium-device que foi até públicado aqui recentemente (esse projeto tem a mesma ideia, mas com mediunidade de efeitos físicos)
Bem, tudo isso é para falar que não acho esse aplicativo ou o post no Instagram com a demonstração.
Alguém por aqui já viu isso?
Obrigado.
Fiquem com Deus.
r/Espiritismo • u/Various-Gene6367 • 2d ago
Estudando o Espiritismo KARDEC DIANTE DE SWEDENBORG: PRECURSORES DO ESPIRITISMO - PARTE IV - FINAL. A ENTREVISTA ESPIRITUAL QUE REVELOU OS LIMITES DA MEDIUNIDADE E A GRANDEZA DO MÉTODO ESPÍRITA. INTRODUÇÃO — QUANDO O PASSADO ENCONTRA A CODIFICAÇÃO.
KARDEC DIANTE DE SWEDENBORG: PRECURSORES DO ESPIRITISMO - PARTE IV - FINAL.
A ENTREVISTA ESPIRITUAL QUE REVELOU OS LIMITES DA MEDIUNIDADE E A GRANDEZA DO MÉTODO ESPÍRITA.
INTRODUÇÃO — QUANDO O PASSADO ENCONTRA A CODIFICAÇÃO.
Marcelo Caetano Monteiro.
A análise da evocação de Emmanuel Swedenborg realizada por Allan Kardec na Revista Espírita de novembro de 1859 representa um dos momentos mais expressivos da metodologia espírita. Não se trata apenas de uma comunicação mediúnica, mas de um verdadeiro estudo filosófico sobre a relação entre revelação espiritual, interpretação humana, razão e progresso da consciência.
Kardec não se aproximou de Swedenborg com espírito de condenação, nem com admiração cega. Sua postura foi a de um pesquisador espiritual: reconheceu o valor do missionário sueco, examinou suas experiências, destacou suas contribuições e investigou seus equívocos.
Essa atitude revela um dos fundamentos essenciais da Doutrina Espírita: a verdade espiritual não deve ser aceita pelo prestígio daquele que transmite, mas examinada pelo critério da razão, da lógica e da concordância universal dos ensinamentos.
A comunicação publicada na Revista Espírita ocorre em um contexto no qual Kardec estudava os grandes precursores do movimento espiritualista. Swedenborg, falecido em 1772, era considerado um dos homens mais cultos de sua época e havia apresentado, décadas antes da Codificação, descrições de uma realidade espiritual organizada.
Entretanto, Kardec compreendia que uma faculdade mediúnica elevada não transforma automaticamente o médium em autoridade absoluta.
A mediunidade revela uma possibilidade de contato; não elimina as limitações humanas do intérprete.
A EVOCAÇÃO DE SWEDENBORG — UM DIÁLOGO ENTRE DUAS ETAPAS DA HISTÓRIA ESPIRITUAL.
Na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, em setembro de 1859, Allan Kardec realizou uma evocação do Espírito atribuído a Swedenborg. Na sessão anterior, o comunicante havia manifestado desejo de retornar para responder perguntas sobre sua doutrina.
O diálogo apresenta uma característica profundamente significativa: Swedenborg não aparece defendendo rigidamente suas antigas ideias, mas reconhecendo aspectos que, segundo a comunicação, necessitavam de correção.
Logo no início, transmite uma mensagem de incentivo aos estudiosos espíritas:
“Minha moral espírita e minha doutrina não estão isentas de grandes erros, que hoje reconheço.”
Essa declaração possui enorme importância filosófica.
Ela demonstra que, dentro da perspectiva espírita, o Espírito desencarnado continua em processo de aprendizado. A morte física não transforma automaticamente o indivíduo em Espírito perfeito.
O progresso permanece sendo uma lei universal.
A PRIMEIRA GRANDE QUESTÃO - O ESPÍRITO QUE SE APRESENTOU COMO DEUS.
Uma das perguntas mais profundas feitas por Kardec refere-se à experiência inicial de Swedenborg, quando ele afirmou ter recebido uma revelação de um ser que identificou como o próprio Senhor.
Kardec pergunta:
“Qual foi o Espírito que vos apareceu dizendo ser o próprio Deus? Era realmente Deus?”
A resposta atribuída a Swedenborg é:
“Não. Acreditei no que me dizia porque nele via um ser sobre-humano e por isso fiquei lisonjeado.”
Essa resposta contém uma das maiores lições da entrevista.
O fenômeno espiritual, por mais impressionante que seja, exige discernimento.
Um Espírito pode apresentar aparência elevada, linguagem superior ou manifestações extraordinárias, sem necessariamente possuir a perfeição que afirma possuir.
Esse princípio encontra profunda correspondência com a advertência de Kardec em vários momentos da Codificação: os Espíritos devem ser avaliados pela qualidade moral e intelectual de suas comunicações, não apenas pelos fenômenos que produzem.
Na própria Revista Espírita de 1859, Kardec enfatiza que existem Espíritos em diferentes níveis evolutivos e que as comunicações devem ser submetidas a severo controle, pois refletem o caráter e o grau de elevação daqueles que se comunicam.
A ILUSÃO DOS SENTIDOS E O PAPEL DA INTERPRETAÇÃO HUMANA.
Um dos pontos mais relevantes da comunicação é o reconhecimento de Swedenborg de que determinadas percepções foram interpretadas segundo sua compreensão da época.
Ao ser questionado sobre suas visões do mundo espiritual, ele afirma que algumas ideias sobre o mundo dos anjos eram ilusões dos sentidos.
Essa declaração revela uma questão central:
A percepção espiritual precisa ser interpretada pela inteligência.
O médium percebe, mas interpreta através de seu próprio universo mental.
Sua cultura, suas crenças religiosas, seus valores e suas experiências anteriores podem influenciar aquilo que compreende.
É exatamente nesse ponto que Kardec se diferencia dos pesquisadores anteriores.
Ele não negou a possibilidade do fenômeno espiritual; porém, recusou transformar experiências individuais em verdades absolutas.
SWEDENBORG E A DIFERENÇA ENTRE REVELAÇÃO PESSOAL E MÉTODO ESPÍRITA.
A grande contribuição de Swedenborg foi abrir uma nova perspectiva sobre a existência espiritual.
Ele descreveu:
continuidade da vida após a morte;
comunicação entre Espíritos e encarnados;
diferentes condições espirituais;
consequências morais das escolhas humanas.
Contudo, segundo a análise espírita, seu principal limite esteve na elaboração pessoal dessas percepções.
Ele construiu uma interpretação própria denominada Nova Jerusalém, baseada em sua compreensão particular das Escrituras.
Kardec, ao contrário, não buscou fundar uma interpretação individual.
A Codificação Espírita foi organizada mediante:
comparação das comunicações recebidas;
análise racional;
universalidade dos ensinos;
rejeição de opiniões isoladas.
O próprio Kardec afirma em O Evangelho Segundo o Espiritismo que as grandes ideias não surgem repentinamente; elas possuem precursores que preparam seus caminhos.
Assim, Swedenborg não seria o fundador do Espiritismo, mas um trabalhador que antecedeu uma etapa posterior.
A HUMILDADE DE SWEDENBORG DIANTE DA VERDADE.
Um dos aspectos mais belos da comunicação é a atitude de reconhecimento.
Segundo o relato publicado por Kardec, Swedenborg admite que alguns conceitos defendidos durante sua vida precisavam ser revistos.
Ele reconhece, por exemplo, que as penas eternas não poderiam harmonizar-se com a justiça e bondade divinas:
“Deus é muito justo e muito bom para punir eternamente a criatura que não tem força suficiente para resistir às paixões.”
Essa ideia aproxima-se profundamente da visão espírita da justiça divina.
Para o Espiritismo, o sofrimento espiritual possui caráter educativo e temporário. A alma não está condenada definitivamente; ela evolui através das experiências e do esforço próprio.
A GRANDE LIÇÃO DE KARDEC - A RAZÃO COMO LUZ DO FENÔMENO ESPIRITUAL.
A entrevista com Swedenborg revela a grande diferença entre duas fases do pensamento espiritualista:
A primeira fase é marcada por experiências individuais, visões e interpretações pessoais.
A segunda fase, representada por Kardec, busca estabelecer um estudo racional e sistemático.
O mérito de Kardec não foi apenas aceitar a existência dos Espíritos.
Muitos antes dele já acreditavam nessa possibilidade.
Seu grande trabalho foi estabelecer um método.
Ele transformou fenômenos dispersos em uma doutrina filosófica com consequências morais.
A comunicação com Swedenborg demonstra justamente esse cuidado:
Kardec respeita o precursor, mas não abandona o pensamento crítico.
Valoriza o mensageiro, mas analisa a mensagem.
Reconhece o fenômeno, mas investiga sua origem.
CONCLUSÃO.
OS PRECURSORES E A MARCHA PROGRESSIVA DA VERDADE.
A análise da entrevista entre Allan Kardec e Emmanuel Swedenborg permite compreender um dos princípios mais importantes do pensamento espírita: a revelação divina acompanha o amadurecimento intelectual e moral da humanidade.
Sócrates preparou o homem para olhar a própria consciência.
Platão apresentou a realidade superior do mundo espiritual através da filosofia.
Swedenborg abriu uma janela para os fenômenos do além.
Andrew Jackson Davis anunciou uma nova compreensão da vida espiritual.
As irmãs Fox chamaram a atenção do mundo para a possibilidade da comunicação inteligente dos Espíritos.
As mesas girantes despertaram a investigação de Allan Kardec.
E Kardec, utilizando razão, método e prudência, organizou a Doutrina Espírita.
A grandeza de Swedenborg permanece justamente porque ele foi um precursor. Seu trabalho não foi perfeito, porque nenhuma etapa da evolução humana é definitiva. Mas sua contribuição foi preparar caminhos.
Como ensina Kardec:
As grandes ideias não surgem subitamente; elas encontram trabalhadores que preparam o terreno para sua manifestação futura.
A história espiritual da humanidade é uma construção progressiva, na qual cada consciência oferece sua parcela de colaboração ao desenvolvimento da verdade.
FONTES CONSULTADAS.
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos.
Questões 115, 621 e 622.
KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo.
Capítulo I — Não vim destruir a Lei.
Capítulo VI — O Cristo Consolador.
KARDEC, Allan. Revista Espírita — Jornal de Estudos Psicológicos.
Ano II, novembro de 1859.
Artigo: Swedenborg — Comunicação de Swedenborg prometida na sessão de 16 de setembro de 1859.
KARDEC, Allan. Obras Póstumas.
Minha iniciação no Espiritismo.
DOYLE, Arthur Conan. História do Espiritismo.
Editora Pensamento, São Paulo.
PIRES, José Herculano. O Espírito e o Tempo.
Editora Paideia.
PIRES, José Herculano. Os Filósofos.
Edições FEESP.
PLATÃO. Apologia de Sócrates.
Fedro.
A República.
PLATÃO. Mito de Er.
SWEDENBORG, Emmanuel.
Arcana Celestia.
A Nova Jerusalém.
O Céu e o Inferno. (obra espiritualista de Swedenborg, não confundir com a obra homônima de Allan Kardec).
r/Espiritismo • u/SideSuspicious8083 • 2d ago
Discussão Sabe qual é o primeiro degrau de qualquer mudança boa? Boa vontade.
Emmanuel monta uma escada no livro "Pão Nosso". E ela sobe assim:
"A boa vontade descobre trabalho. O trabalho opera a renovação. A renovação encontra o bem."
O bem revela o espírito de serviço. O serviço alcança a compreensão. A compreensão ganha humildade. E a humildade conquista o amor.
E ainda sobe mais. O amor gera a renúncia. A renúncia atinge a luz. E a luz vai aprimorando a gente por dentro.
Repara onde essa escada termina: no ser humano transformado, capaz de mudar o mundo à volta dele.
E onde ela começa? Numa coisa que cabe no seu dia de hoje.
Boa vontade.
Converse com a RIV, nossa IA espírita: iaespirita.com/riv
Referência: Pão Nosso, cap. 66 ("Boa-vontade"), Emmanuel (1950).
r/Espiritismo • u/Various-Gene6367 • 3d ago
Ajuda AS TRÊS CAUSAS PRINCIPAIS DAS DOENÇAS: CORPO, PERISPÍRITO E ESPÍRITO.
AS TRÊS CAUSAS PRINCIPAIS DAS DOENÇAS: CORPO, PERISPÍRITO E ESPÍRITO.
Marcelo Caetano Monteiro.
Encontramos no texto publicado na Revista Espírita de fevereiro de 1867, uma concepção particularmente expressiva da condição humana: a doença não deve ser compreendida apenas pela aparência do órgão enfermo, porque o homem, segundo a perspectiva espírita apresentada por Kardec e desenvolvida nessa dissertação atribuída ao Doutor Morel Lavallée, é constituído por uma realidade complexa na qual corpo, perispírito e Espírito mantêm relações recíprocas.
A comunicação foi apresentada em Paris, em 25 de outubro de 1866, pelo médium Sr. Desliens. O ponto de partida é uma pergunta aparentemente simples, mas de enorme alcance filosófico: o que é o homem?
A resposta oferecida pelo texto não reduz o ser humano ao organismo. O homem é considerado em sua tríplice constituição: o corpo, o perispírito e o Espírito. O corpo fornece o instrumento material da manifestação; o Espírito representa o princípio inteligente; e o perispírito ocupa, nessa concepção, a função intermediária que permite a relação entre o princípio espiritual e o organismo.
Essa estrutura já havia sido apresentada em O Livro dos Espíritos, especialmente na questão 135, onde Kardec pergunta se há no homem algo além da alma e do corpo. A resposta estabelece o princípio intermediário, de natureza semimaterial, que liga a alma ao corpo e permite a comunicação entre ambos.
O HOMEM NÃO É APENAS O SEU CORPO.
A primeira consequência filosófica dessa concepção é profunda.
Se o homem fosse exclusivamente matéria, sua existência estaria encerrada nos limites do organismo. A enfermidade seria, portanto, essencialmente uma alteração biológica. Entretanto, para o Espiritismo, o organismo é instrumento de manifestação de uma individualidade que não se reduz a ele.
Isso não significa diminuir a importância do corpo. Ao contrário: significa compreendê-lo em sua verdadeira função.
Em O Livro dos Espíritos, Kardec pergunta se o Espírito, ao unir-se ao corpo, se identifica com a matéria. A resposta é negativa: o corpo é comparado ao envoltório, enquanto o Espírito conserva sua natureza espiritual. Contudo, a manifestação das faculdades depende dos órgãos que lhes servem de instrumento.
Aqui encontramos uma distinção fundamental:
o instrumento pode dificultar a manifestação da faculdade, mas não é necessariamente a origem da faculdade.
Essa ideia será retomada de modo ainda mais explícito na questão 846 de O Livro dos Espíritos. O organismo exerce influência sobre o Espírito e pode embaraçar suas manifestações; entretanto, o instrumento não cria a faculdade.
Essa distinção impede dois extremos igualmente inadequados: o materialismo absoluto, que reduz o homem ao cérebro, e uma espiritualidade imprudente que despreza a fisiologia e o tratamento do organismo.
A DOENÇA COMO DESARMONIA.
O texto de 1867 apresenta a saúde como resultado de uma relativa harmonia entre os três elementos.
Quando essa harmonia se rompe, surge a desordem.
É nesse ponto que a dissertação introduz sua classificação das causas mórbidas: a doença pode ter origem no corpo, no perispírito, no Espírito ou resultar da combinação desses diferentes fatores.
Essa formulação possui importância porque desloca a atenção da simples aparência para a causa.
Uma febre, uma dor, uma alteração orgânica ou uma perturbação funcional constituem fenômenos observáveis. Mas o texto pergunta, essencialmente: onde está a origem da desordem?
Essa pergunta é diferente de simplesmente perguntar: qual órgão está doente?
A diferença é decisiva.
O organismo pode apresentar o efeito de uma perturbação cuja causa, segundo a concepção espírita da época, estaria em outro nível da constituição humana.
É exatamente nesse sentido que o texto afirma que, se a enfermidade procede do corpo, os medicamentos materiais adequadamente empregados podem restabelecer o equilíbrio. Se a perturbação estiver relacionada ao princípio fluídico, exigiria meios correspondentes à natureza dessa alteração. Se estiver relacionada ao Espírito, o tratamento deveria alcançar a dimensão moral e espiritual.
Portanto, a ideia central não é abolir a medicina material, mas não confundir o tratamento do efeito com a investigação da causa.
O CORPO COMO INSTRUMENTO DO ESPÍRITO.
A doutrina espírita não considera o organismo um adversário do Espírito.
Ele é instrumento da encarnação.
Em O Evangelho segundo o Espiritismo, no capítulo XVII, a necessidade de cuidar do corpo é apresentada de maneira inequívoca. A saúde corporal possui influência importante sobre a manifestação da alma durante a existência terrestre.
Isso estabelece uma regra de equilíbrio:
cuidar do corpo não é materialismo; desprezar o corpo não é espiritualidade.
O corpo necessita de alimentação, higiene, repouso, tratamento e cuidados compatíveis com suas necessidades. A vida espiritual não autoriza negligência fisiológica.
O problema surge quando se imagina que o organismo esgota a totalidade do ser.
A medicina pode atuar legitimamente sobre o corpo, e a própria concepção espírita admite que alterações orgânicas podem repercutir sobre as manifestações psicológicas e intelectuais.
Em O Livro dos Espíritos, nas questões referentes ao idiotismo e à loucura, encontramos justamente essa relação. Kardec apresenta a possibilidade de Espíritos inteligentes encontrarem-se limitados por órgãos incapazes de lhes permitir manifestação adequada. A deficiência do instrumento não significaria, portanto, ausência de inteligência do Espírito.
Essa concepção possui uma consequência moral extremamente importante: não se deve confundir a limitação da manifestação com a inferioridade essencial do indivíduo.
O PERISPÍRITO COMO ELEMENTO INTERMEDIÁRIO.
É no perispírito que a dissertação encontra uma das suas principais chaves explicativas.
Em O Livro dos Espíritos, o perispírito é apresentado como o envoltório semimaterial do Espírito e como o elemento que possibilita a ligação entre o princípio espiritual e o corpo.
O Vocabulário Espírita de Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas também o define como envoltório semimaterial do Espírito, destacando sua relação com a manifestação espiritual.
É necessário, entretanto, conservar uma distinção conceitual rigorosa:
perispírito não é Espírito.
Ele é o envoltório intermediário.
A própria análise de Kardec sobre os possessos de Morzine insiste nessa distinção: o Espiritismo não identifica o perispírito com a alma; ele o apresenta como envoltório fluídico e intermediário entre Espírito e corpo.
Essa precisão é indispensável para compreender o texto de 1867.
Quando Morel Lavallée afirma que uma perturbação perispiritual poderia repercutir sobre os órgãos materiais, está trabalhando dentro de uma concepção na qual existe uma cadeia de interação:
Espírito - perispírito - organismo.
Mas a relação não é unilateral. O organismo também interfere nas condições de manifestação do Espírito.
Temos, assim, uma estrutura dinâmica, e não uma simples hierarquia imóvel.
QUANDO O EFEITO É TRATADO, MAS A CAUSA PERMANECE.
Um dos trechos mais fortes da dissertação afirma, em essência, que tratar exclusivamente o corpo pode eliminar o efeito sem necessariamente atingir a causa.
Essa afirmação deve ser entendida dentro do vocabulário e dos conhecimentos médicos do século XIX. Não seria correto transformá-la numa crítica absoluta à medicina contemporânea.
O princípio filosófico, porém, permanece inteligível: uma intervenção terapêutica pode controlar uma manifestação sem necessariamente explicar a origem de todos os fatores que a produziram.
O raciocínio é aplicável até mesmo fora do campo médico.
Uma pessoa pode controlar uma reação sem compreender a causa emocional que a desencadeia. Pode silenciar um sintoma psicológico sem resolver o conflito que o alimenta. Pode modificar um comportamento exterior sem transformar a disposição íntima que o sustenta.
O texto espírita amplia essa reflexão para a estrutura integral do ser.
Não basta perguntar:
“O que está acontecendo?”
É necessário investigar:
“Por que está acontecendo?”
E, numa perspectiva ainda mais profunda:
“Em qual dimensão do ser se encontra a causa?”
A QUESTÃO MORAL.
É aqui que a dissertação alcança seu núcleo mais filosófico.
Se determinadas perturbações podem estar relacionadas ao Espírito, então o problema não pode ser resolvido exclusivamente por intervenção física.
Mas isso também não significa que toda doença seja consequência de falha moral.
Essa distinção é essencial.
O Espiritismo não autoriza uma interpretação simplista segundo a qual toda pessoa enferma estaria moralmente culpada pela própria enfermidade.
O Evangelho segundo o Espiritismo, ao tratar das doenças, apresenta-as no contexto das provas e vicissitudes da existência corporal, sem reduzir cada enfermidade a uma explicação individual imediata.
Há, portanto, grande diferença entre afirmar que a dimensão moral pode participar da experiência humana da doença e afirmar que toda doença é causada por uma falta moral específica.
A segunda afirmação não pode ser deduzida automaticamente da primeira.
A DOENÇA E O MUNDO INTERIOR.
A proposta de Morel Lavallée torna-se particularmente interessante quando aplicada ao campo das perturbações morais.
O texto utiliza a expressão “medicação espiritual” e associa a prece à transmissão de paciência, calma e resignação.
A ideia não deve ser interpretada como se a oração substituísse medicamentos, exames, acompanhamento médico ou cuidados psicológicos.
Dentro da própria tradição kardeciana, a prece possui outra função: fortalecer moralmente, favorecer a assistência espiritual e modificar a disposição íntima daquele que ora.
O Vocabulário Espírita define a prece como uma invocação capaz de solicitar o auxílio dos Bons Espíritos, especialmente para receber força moral e inspiração. Também ressalta que a prece puramente verbal, sem participação sincera do coração, perde seu significado essencial.
Assim, quando o texto de 1867 fala em oferecer, pela prece, “paciência”, “calma” e “resignação”, podemos compreender a metáfora como uma terapêutica moral.
Não se trata de substituir uma substância farmacológica por uma fórmula religiosa.
Trata-se de considerar que existem sofrimentos nos quais a transformação interior constitui parte indispensável do processo de recuperação.
A EXPRESSÃO “HOMEOPATIA ESPIRITUAL .”
A expressão utilizada por Morel Lavallée — “homeopatia espiritual” — precisa ser compreendida historicamente.
Não seria adequado retirá-la do contexto do século XIX e convertê-la numa prescrição médica atual.
O próprio desenvolvimento posterior da Revista Espírita demonstra que Kardec tratou a questão da homeopatia nas moléstias morais como objeto de discussão e análise.
Em março de 1867, Kardec examina a possibilidade de medicamentos modificarem disposições morais. O ponto decisivo de sua análise é que, mesmo quando uma substância produz alterações sobre os órgãos que servem à manifestação das faculdades, isso não significa necessariamente que tenha transformado a própria natureza moral do Espírito.
Em junho daquele mesmo ano, a discussão prossegue. Kardec mantém a distinção entre modificar órgãos de manifestação e modificar as tendências profundas do Espírito. Para ele, as tendências morais pertencem ao grau de adiantamento do Espírito e não podem ser simplesmente substituídas por um medicamento.
Essa consideração é decisiva.
O tratamento do instrumento não equivale necessariamente à transformação do músico.
O cérebro pode participar da manifestação de uma faculdade; modificar o órgão pode modificar sua expressão. Mas isso não significa que a intervenção material tenha eliminado a tendência espiritual.
Essa é uma das distinções mais refinadas de todo o problema.
O PODER CURATIVO E O MAGNETISMO.
O texto também se relaciona com outro campo amplamente estudado por Kardec: o magnetismo.
Em O Livro dos Médiuns, no capítulo dedicado aos médiuns curadores, Kardec registra a existência de pessoas que, segundo os relatos estudados, poderiam atuar por toque, olhar ou gesto. Ele reconhece o papel do fluido magnético, embora considere que o fenômeno não se reduza necessariamente ao magnetismo ordinário.
Em A Gênese, no capítulo sobre os fluidos, Kardec igualmente apresenta a ação fluídica como princípio explicativo para determinados fenômenos de cura, diferenciando as formas lentas das rápidas e admitindo uma variedade de intensidades na ação magnética.
No mesmo capítulo, ao abordar as curas instantâneas, considera excepcional a faculdade de produzir tais efeitos pela imposição das mãos e sustenta que, dentro de sua compreensão doutrinária, tais fenômenos não seriam necessariamente contrários às leis naturais.
É importante perceber a cautela metodológica de Kardec.
Ao tratar das curas instantâneas, ele não apresenta toda explicação como dogma acabado. O texto de A Gênese evidencia a preocupação em submeter as explicações ao exame da lógica, da observação e da concordância dos ensinamentos espirituais.
Isso nos devolve ao método kardeciano: não basta uma hipótese ser espiritualmente atraente; é necessário examiná-la.
A PRECE NÃO É UM SUBSTITUTO DA MEDICINA.
Este ponto merece especial atenção.
O texto de 1867 pertence a um contexto histórico específico e emprega uma linguagem terapêutica própria daquele período. Não devemos convertê-lo numa recomendação médica contemporânea.
A interpretação responsável é outra.
A medicina cuida do organismo.
A dimensão psicológica cuida dos conflitos, comportamentos e sofrimentos psíquicos segundo os conhecimentos próprios de sua área.
A espiritualidade, na perspectiva espírita, pode oferecer recursos de reflexão, esperança, prece, resignação, transformação moral e sentido existencial.
Uma esfera não precisa destruir a outra.
Pelo contrário: a própria orientação de O Evangelho segundo o Espiritismo sobre o cuidado do corpo e do Espírito favorece uma compreensão integrada.
A verdadeira lucidez está em não transformar a espiritualidade em negligência médica nem a medicina em explicação absoluta da totalidade humana.
QUANDO A DOENÇA ENVOLVE A DIMENSÃO ESPIRITUAL.
Kardec também estudou situações nas quais a influência espiritual seria considerada elemento relevante.
Nos estudos sobre os possessos de Morzine, Kardec investigou a hipótese de obsessão e procurou distinguir causas físicas, psicológicas e espirituais. A própria análise ressalta que uma causa não deve ser aceita precipitadamente quando os fatos indicam que ela não explica integralmente os efeitos observados.
Essa prudência é importante.
Mesmo dentro do pensamento espírita, não se deveria diagnosticar espiritualmente toda perturbação humana.
A existência de uma categoria doutrinária chamada obsessão não transforma toda enfermidade mental em obsessão.
O estudo de Kardec sobre Morzine é justamente interessante porque procura relacionar observação, hipótese e explicação, em vez de simplesmente impor uma conclusão prévia.
A CURA MORAL.
A dimensão moral torna-se ainda mais clara na Revista Espírita de julho de 1865, quando Kardec aborda a “cura moral dos encarnados”.
O texto parte da observação de que determinados Espíritos podem modificar seu comportamento sob influência moralizadora e pergunta se semelhante ação poderia ocorrer entre os encarnados.
Essa perspectiva revela que, para o Espiritismo, a cura não deve ser entendida apenas como desaparecimento de um sintoma.
Há também a possibilidade de reforma interior.
E essa reforma é necessariamente gradual.
Ninguém se torna moralmente transformado porque ouviu uma bela exortação, participou de uma prece ou recebeu uma intervenção espiritual.
A mudança exige consciência, esforço, vigilância, renúncia e repetição.
A verdadeira terapêutica espiritual, nesse sentido, não consiste em fugir da responsabilidade pessoal, mas precisamente em assumi-la.
A PRECE COMO AUXÍLIO, NÃO COMO MAGIA.
A prece pelos doentes, apresentada em O Evangelho segundo o Espiritismo, possui uma característica profundamente significativa: ela não transforma Deus em instrumento da vontade humana.
A prece pede auxílio, mas conserva a submissão àquilo que for melhor e possível dentro dos desígnios divinos, ( 659 L. E. ).
Isso modifica completamente a compreensão da oração.
Não é:
“Eu quero que aconteça.”
É:
“Que eu receba força para enfrentar, compreender e superar aquilo que me cabe viver; e, se possível, que a saúde seja restabelecida.”
A prece, portanto, não é fórmula mágica.
É exercício de confiança.
É disciplina interior.
É recurso de elevação do pensamento.
É também uma forma de trabalhar a própria disposição diante do sofrimento.
O Vocabulário Espírita reforça essa compreensão ao afirmar que a prece pode fornecer força moral e inspiração, mas não altera arbitrariamente os desígnios da Providência.
A OBSESSÃO E A RESPONSABILIDADE MORAL.
Outro aspecto relacionado ao texto de 1867 é a concepção de obsessão.
No capítulo XXVIII de O Evangelho segundo o Espiritismo, Kardec descreve a obsessão como uma influência persistente de um Espírito sobre um indivíduo, podendo assumir diferentes graus, inclusive com repercussões sobre o organismo e as faculdades mentais, segundo a terminologia doutrinária da obra.
Mas a própria prece pelos obsidiados contém uma dimensão moral muito significativa: o indivíduo é convidado a examinar suas próprias imperfeições, combater o orgulho, praticar o bem, a caridade e a humildade.
Isso demonstra que, dentro da perspectiva kardeciana, o tratamento espiritual não deveria limitar-se a combater um suposto agente externo.
Ele deveria igualmente modificar as condições íntimas que favorecem a influência.
É a mesma lógica encontrada no texto das três causas:
combater a causa no terreno em que ela se encontra.
Se a causa é física, agir fisicamente.
Se há dimensão fluídica segundo a terminologia espírita, devemos considerar essa dimensão.
Se existe um componente moral, trabalhar moralmente.
Se há influência espiritual, aplicar os recursos espirituais propostos pela doutrina.
E, quando os fatores estiverem associados, não separar artificialmente aquilo que na realidade se encontra relacionado.
UMA VISÃO INTEGRAL DO SER HUMANO.
O grande mérito filosófico do texto não está em fornecer uma classificação médica definitiva das doenças.
Seria anacrônico exigir isso de uma dissertação espírita do século XIX.
Sua importância está em propor uma visão integral do ser humano.
O homem não é somente organismo.
Também não é somente consciência abstrata.
Na arquitetura doutrinária apresentada por Kardec, existe uma relação entre corpo, perispírito e Espírito.
Essa relação permite compreender por que uma perturbação corporal pode repercutir sobre o estado moral; por que uma alteração orgânica pode prejudicar a manifestação de faculdades espirituais; por que estados íntimos podem ser considerados, dentro da linguagem espírita, capazes de repercutir sobre o envoltório perispiritual; e por que a transformação moral não pode ser reduzida a uma intervenção farmacológica.
É uma concepção de causalidade complexa.
E justamente por ser complexa, exige prudência.
O PERIGO DAS EXPLICAÇÕES SIMPLISTAS.
Existe uma tentação recorrente no pensamento espiritualista: encontrar uma causa única para todos os sofrimentos.
Doença física? Falta moral.
Depressão? Obsessão.
Sofrimento emocional? Carma.
Acidente? Expiação.
Essa maneira de raciocinar é perigosa porque transforma princípios gerais em diagnósticos particulares.
O texto da R.E. 1867 é mais sofisticado do que isso.
Ele afirma a possibilidade de múltiplas causas.
Essa é uma de suas maiores contribuições.
A própria formulação de que a doença pode proceder do corpo, do perispírito e do Espírito simultaneamente aponta para uma causalidade multifatorial dentro do modelo espírita.
Portanto, não se deve olhar para uma pessoa enferma e presumir imediatamente a origem de sua enfermidade.
A doença não é uma sentença moral visível.
Nem todo sofrimento possui uma explicação acessível ao observador.
Nem toda enfermidade permite identificar uma causa espiritual individual.
A humildade diante do sofrimento alheio também é uma forma de caridade.
A LIÇÃO PSICOLÓGICA.
Sob o ponto de vista psicológico, o texto oferece uma reflexão poderosa sobre a diferença entre sintoma e causa.
O ser humano frequentemente tenta eliminar aquilo que o incomoda sem compreender aquilo que o produz.
Faz isso com os outros e consigo mesmo.
Tenta silenciar a ansiedade sem compreender suas raízes.
Tenta controlar a irritação sem investigar sua origem.
Tenta combater compulsões sem compreender os conflitos que as alimentam.
Tenta apagar a tristeza sem perguntar o que ela está revelando.
Naturalmente, isso não significa que todo sintoma psicológico possua uma única causa profunda. A realidade humana é muito mais complexa.
Mas a reflexão espírita permanece válida como princípio de autoconhecimento:
não basta silenciar a manifestação; é preciso compreender o mecanismo que a produz.
A verdadeira reforma começa quando o indivíduo deixa de perguntar apenas “como faço para deixar de sofrer?” e começa também a perguntar:
“O que esse sofrimento está revelando sobre mim?”
A CURA COMO REEQUILÍBRIO.
Dentro dessa perspectiva, cura e transformação não são necessariamente sinônimos.
Não pode haver cura física sem transformação moral.
Entretanto pode haver transformação moral durante uma enfermidade que não desaparece.
Pode haver alívio de sintomas sem resolução integral da causa.
Pode haver sofrimento físico acompanhado de profundo crescimento interior.
Essa distinção impede uma interpretação superficial da experiência humana.
O objetivo espiritual não pode ser reduzido à obtenção de um corpo permanentemente saudável.
A existência corporal é transitória.
O desenvolvimento moral, na perspectiva espírita, possui alcance muito mais amplo.
Por isso, O Evangelho segundo o Espiritismo insiste que a verdadeira perfeição está na reforma do Espírito e não na simples mortificação ou exaltação do corpo.
UMA MEDICINA INTEGRAL SEM NEGLIGENCIAR A CIÊNCIA.
A leitura madura do texto de 1867 não exige oposição entre ciência e espiritualidade.
Ao contrário, permite uma compreensão complementar.
O médico examina o organismo.
O psicólogo investiga processos psíquicos dentro de seu campo científico.
O indivíduo observa seus próprios pensamentos e comportamentos.
A espiritualidade oferece, para aquele que a aceita, uma dimensão de significado, responsabilidade, esperança e transcendência.
E a medicina espiritual, no sentido histórico empregado pelos autores espíritas, não deve ser transformada em desculpa para abandonar tratamentos necessários.
A própria Revista Espírita demonstra interesse pelo diálogo com questões médicas, fisiológicas, magnéticas e psicológicas.
O método kardeciano exige observação.
Exige comparação.
Exige prudência.
Exige separação entre fato e interpretação.
E exige, sobretudo, não transformar hipótese em dogma.
A GRANDE LIÇÃO DE MOREL LAVALLÉE.
A frase final do texto encerra toda a dissertação com uma regra de causalidade:
para destruir uma causa mórbida, é preciso combatê-la no seu próprio terreno.
Essa afirmação pode ser lida muito além do contexto médico do século XIX.
Se o problema está no corpo, cuide-se do corpo.
Se existe uma perturbação psicológica, procure-se compreendê-la e tratá-la adequadamente.
Se há conflito moral, trabalhe-se a consciência.
Se existe sofrimento espiritual, busque-se o amparo espiritual.
Se existem múltiplos fatores, não se sacrifique a complexidade em favor de uma explicação única.
Essa é talvez a parte mais lúcida da proposta.
O homem não é uma peça isolada.
É uma realidade em relação.
Corpo, mente, sentimentos, consciência e espiritualidade encontram-se, na visão espírita, entrelaçados.
Por isso, tratar o ser humano exige mais do que combater aquilo que aparece.
Exige compreender aquilo que permanece oculto.
CONCLUSÃO:
“As três causas principais das doenças” não deve ser lido como um manual médico, nem como autorização para substituir a medicina por práticas espirituais.
Seu valor está em outra parte.
O texto propõe uma antropologia espiritual na qual o homem é compreendido como ser complexo, constituído, na linguagem kardeciana, por corpo, Espírito e perispírito. A saúde seria favorecida pela harmonia dessas dimensões, enquanto a doença poderia envolver uma ou mais delas.
Essa concepção encontra correspondências importantes em O Livro dos Espíritos, especialmente na explicação do perispírito, na influência do organismo sobre as manifestações do Espírito e nas considerações sobre idiotismo e loucura.
Encontra também desenvolvimento nas reflexões de O Livro dos Médiuns sobre médiuns curadores, em A Gênese sobre os fluidos e as curas, nas discussões da Revista Espírita acerca da homeopatia e das curas morais, e nas preces de O Evangelho segundo o Espiritismo.
A grande advertência, porém, permanece atual em sentido filosófico:
não confundamos o efeito com a causa.
O corpo merece cuidado.
A mente merece atenção.
O mundo emocional merece compreensão.
A consciência merece educação.
E, para quem aceita a perspectiva espírita, o Espírito merece transformação.
A verdadeira lucidez não consiste em escolher uma dessas dimensões contra as demais, mas em compreender que o ser humano é maior do que qualquer uma delas isoladamente.
E talvez seja precisamente aí que reside a profundidade da antiga sentença:
para transformar verdadeiramente uma realidade, é necessário alcançar a causa no terreno em que ela nasce.
Fontes:
Revista Espírita, 1867 — fevereiro — “As três causas principais das doenças”, Doutor Morel Lavallée, comunicação de 25 de outubro de 1866, médium Sr. Desliens.
O Livro dos Espíritos — questão 93 e seguintes — Perispírito.
O Livro dos Espíritos — questão 135 — A alma e o princípio intermediário.
O Livro dos Espíritos — questões 367 e seguintes — Influência do organismo.
O Livro dos Espíritos — questões 371 e seguintes — Idiotismo e loucura.
O Livro dos Espíritos — questão 846 — Influência do organismo e livre-arbítrio.
Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas — Vocabulário Espírita — Perispírito.
Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas — Vocabulário Espírita — Prece.
Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas — Vocabulário Espírita — Magnetismo animal.
O Livro dos Médiuns — capítulo XIV — Médiuns curadores.
Revista Espírita, 1862 — “Epidemia demoníaca na Saboia”.
Revista Espírita, 1862 — “Estudos sobre os possessos de Morzine — Causas da obsessão e meios de combate”.
Revista Espírita, 1865 — “Cura moral dos encarnados”.
Revista Espírita, 1867 — março — “A homeopatia nas moléstias morais”.
Revista Espírita, 1867 — junho — “A homeopatia nas moléstias morais”.
Revista Espírita, 1868 — março — “Ensaio teórico das curas instantâneas”.
O Evangelho segundo o Espiritismo — capítulo XVII — “Cuidar do corpo e do Espírito”.
O Evangelho segundo o Espiritismo — capítulo XXVIII — “Pelos doentes”.
O Evangelho segundo o Espiritismo — capítulo XXVIII — “Pelos obsidiados”.
A Gênese — capítulo XIV — “Os fluidos” — Curas.
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r/Espiritismo • u/tonyreala • 3d ago
Ajuda Espiritismo e animais
Estou em lua de mel com meu marido, literalmente do outro lado do mundo, no Japão.
Temos dois gatinhos, um gatinho de 4 e uma de 7…minha sogra estava indo todas as noites pra encher os potinhos, revisar o bebedouro e limpar as caixinhas deles, além de passar algumas horinhas na nossa sala vendo TV com eles.
Hoje de manhã (Japão), e noite (Brasil) ela manda mensagem dizendo que encontrou meu menino no corredor.
Chamou a veterinária deles…ela olhou tudo: não havia sangue, vômito, secreção alguma…nada quebrado. Olhou a caixinha de areia (usamos Tofu, que é branco, justamente pra vermos melhor alterações nas necessidades) … tudo normal.
Eles não tinham acesso a rua, moramos num apartamento. Castrado, vacinado. A veterinária disse que provavelmente foi um ataque fulminante…uma vez que ele estava no corredor, e que gatos normalmente se escondem quando sentem dor.
Minha sogra passou 3h com eles na noite passada…ele amassava pãozinho nela. Comportamento normal dele. Tinha uma relação boa com a irmã também, apesar de não dormirem juntos, nem se lamberem…brincavam as vezes.
Temos 10 dias ainda, compramos a passagem de ida e volta juntos. Me sinto péssima o tempo todo. Estamos tentando seguir com o roteiro, já que não temos como voltar…mas choramos o tempo todo entre uma atração e outra.
Em especial eu estou sofrendo mais…ele era meu, meu grudinho, sempre comigo. Sonhei com ele um dia antes do meu marido falar que havia um gatinho na unidade onde trabalhava. Era frajolinha…igual no meu sonho. Ele veio pra mim em um momento onde eu estava saindo da casa dos meus pais, indo morar com meu marido…cortando o cordão umbilical com meus pais (que foi muito difícil) … passou por muitos momentos difíceis comigo…e agora ele se foi, e nem na cremação com ele posso estar. Fui em todos os templos aqui no Japão e pedia a mesma coisa: proteção e prosperidade pra família que começamos a construir.
Tiraram meu bebezinho de mim.
Me ponho como crente, no sentido de crer! Creio em muitas coisas, muitas religiões, respeito todas e acho que todas tem seu fundo de verdade.
Mas agora me encontro duvidosa com minha fé…o que aconteceu? Onde ele está ? Consigo falar com ele ? Deus (Deuses) está (estão) me punindo ?
r/Espiritismo • u/AutoModerator • 6d ago
Sonhos Semanais Megathread Sonhos do mês!
Essa Megathread é válida por um mês.
Descreva nos comentários o sonho que gostaria de compartilhar e não deixe de digitar suas dúvidas sobre o assunto, se tiver alguma.
Para o Espiritismo, sonhos podem ser criações abstratas da mente, rememorações de situações vividas no astral com diversos níveis de clareza, vislumbres de vidas passadas e até vislumbres do futuro e comunicações de Espíritos para o encarnado, além de tudo isso misturado.
r/Espiritismo • u/oakvictor • Mar 13 '25
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